domingo, 9 de outubro de 2011

Espondiloartrites e Doença celíaca


Espondiloartrites

Profª. Dra. Cláudia Goldenstein-Schainberg

As espondiloartrites englobam um grupo de doenças inflamatórias da coluna com envolvimento inflamatório dos ligamentos e tendões nas interfaces entre o osso e a cartilagem articular (entesites). Afeta coluna lombossacra, membros inferiores, região de tendão de Aquiles e calcanhar, além de membros superiores, e eventualmente pele, olhos e trato genitourinário e gastrointestinal.
Faz parte deste grupo de doenças a espondilite anquilosante (EA), artrite reativa, artrite psoriásica (APs), artrite relacionada a doenças inflamatórias intestinais como o Crohn e a retocolite ulcerativa e as espondiloartrites indiferenciadas. Fatores genéticos (interação familiar), ambientais e infecciosos contribuem para que a doença se manifeste. A inflamação da articulação sacroilíaca da bacia ou sacroiliíte é comum nessas patologias.
  • A ESPONDILITE ANQUILOSANTE (EA): se destaca pelo acometimento primário da coluna vertebral com dor (lombalgia) e das articulações sacroilíacas. Entesites de inserções ligamentares e tendíneas, artrite periférica, geralmente assimétrica, preferencialmente de membros inferiores, como tornozelos, coxofemurais e joelhos são comuns, e mais raramente de membros superiores, principalmente ombros. Afeta mais pacientes do sexo masculino, com idade de início antes dos 40 anos. A dor na coluna ou lombalgia é de difícil localização irradiando-se para a região glútea, tem início insidioso, duração maior que 3 meses, rigidez matinal e melhora com exercício e piora com o repouso. Após alguns meses torna-se persistente, com rigidez e sensação dolorosa difusa na região lombar baixa. A dor pode acordar o paciente durante o sono, muitas vezes obrigando-o a executar algum exercício para diminuí-la e com rigidez concomitante, comum nas fases avançadas da doença. Com a evolução do quadro e se não for diagnosticada e tratada de forma adequada, pode haver redução dos movimentos da coluna vertebral levando à sua fusão ou anquilose, daí o nome da doença: espondilite anquilosante. 
  • A ARTRITE REATIVA (ARe): A inflamação articular ocorre 3 a 6 semanas após uma infecção geniturinário ou gastrointestinal, que pode passar desapercebida. Quando presentes, os sintomas gastrointestinais se manifestam sob a forma de diarréia ou disenteria e os sintomas urogenitais no homem são de uretrite com queimação e dor uretral e na mulher, a uretrite, cistite e cervicite tendem a ser silenciosas. Pode haver febre baixa, perda de peso e mal estar vago, conjuntivite e aftas na boca. Predomina o envolvimento de articulações de membros inferiores, joelhos, tornozelos e pés com entesopatia (inflamação localizada na inserção do tendão com o osso) levando ao aspecto de "dedos em salsicha" ou dactilite, dor no calcanhar, decorrente da entesite aquiliana e das plantas dos pés. A lombalgia é mal definida, decorrente da inflamação dos tendões da coluna e pode evoluir com dor e rigidez indistinguível do quadro da EA, com sacroiliíte em até 1/3 dos pacientes. 
  • ARTRITE PSORIÁSICA (APs): é uma forma de artrite que se associa a psoríase cutânea, doença das unhas e pele com lesões vermelhas e descamativas. A psoríase isolada afeta 1 a 3% da população e sua associação com artrite em 10 a 42% dos pacientes. A doença articular pode ocorrer depois, antes ou concomitante à doença cutânea, em qualquer idade, com pico entre os 30 e 50 anos de idade e frequência similar entre homens e mulheres. A APs pode afetar a coluna (forma espondilítica semelhante à espondilite anquilosante) e as articulações periféricas dos membros inferiores e superiores. 
  • ARTROPATIAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS: As doenças inflamatórias intestinais englobam a doença de Crohn (DC), retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI) e mais raramente Doença de Whipple, artrite após by-pass intestinal e a artrite associada a doença celíaca. Podem evoluir com manifestações articulares inflamatórias associadas e envolvimento típico da coluna, semelhantes às da EA leve a moderada com envolvimento da coluna, bacia, articulações periféricas, artrite e entesite (aquiles, fáscia plantar). 
  • TRATAMENTO DAS ESPONDILOARTROARTRITES: Embora as bases do tratamento das doenças que constituem as espondiloartrites sejam semelhantes, o que vai determinar o esquema terapêutico é a evolução dos diferentes quadros. Daí a necessidade da individualização terapêutica e a abordagem conjunta de especialistas, como o gastroenterologista, o dermatologista e o oftalmologista. 
    http://www.hospitalsiriolibanes.org.br/