Glúten! Uma modinha de 10 mil anos!


Glúten: uma modinha de apenas 10 mil anos

No dia 23/05/2015, o jornal Estado de Minas publicou uma matéria da jornalista Anna Marina intitulada “A Bola da Vez é o Glúten“. Trata-se de um típico caso de alguém que precisa escrever algo, mas que não tem a menor noção do assunto, e sabe-se lá porque, nem procurou dar “um Google” antes. Eu, na condição de celíaca-nutricionista-educadora em saúde, me senti profundamente incomodada com a forma desrespeitosa com que jornalista escreveu sobre o tema. Concordo que ela tem todo o direito de achar que algumas pessoas talvez estejam deixando de consumir glúten por modismo e também concordo com o direito dela não saber nada sobre o assunto. Mas o que não posso concordar é com a quantidade de absurdos que foram escritos em algumas linhas… absurdos estes que podem custar a vida de muita gente, caso alguns desavisados tenham acreditado no que leram. Assim, como o meu compromisso é com a minha consciência e com o meu papel de educadora, resolvi transcrever aqui no blog a minha réplica a referida matéria, que por sinal, até o presente momento, não obteve nenhuma resposta. E olha que tentei os mais diversos canais de comunicação… e-mail, mensagem via FB e até telefone! Mas enfim… já me conformei com a falta de atenção por parte do jornal. Então, resolvi aproveitar a ocasião e transformar o que foi um grande aborrecimento, em mais uma bandeira levantada em prol da causa Celíaca. Escrevi o texto me baseando na resposta da amiga e orientadora Flávia Anastácio de Paula, que dividiu o texto da jornalista de forma a deixar nosso trabalho de Educação Celíaca mais didático.
“Boa noite Anna Marina,
Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo seu texto publicado no dia 23 de maio de 2015 no jornal Estado de Minas, intitulado “A bola da vez é o glúten”! A senhora está de parabéns por ter conseguido a proeza de atrair muita gente para a nossa causa, por ter conseguido fazer com muitas pessoas, de todo o país começassem a se mobilizar para expressar seu descontentamento contra a desinformação que pode matar. Isso mesmo… glúten mata!
Mas explico melhor abaixo, analisando cada trecho do seu texto:
“COMO DIZ A VOZ DO POVO, “O QUE ABUNDA PREJUDICA”. “NINGUÉM MAIS AGUENTA OUVIR FALAR EM GLÚTEN”.
Acho ótimo que ninguém aguente mais! Sinal de que estamos conseguindo um dos nossos objetivos! Realmente, o que todos nós com desordens relacionadas militamos é por alimentos sem glúten. Para tal vamos ficar não só falando, mas, trabalhando em conjunto com a sociedade civil organizada, os órgãos regulatórios, o Estado, e a indústria alimentícia. Apesar do nosso trabalho já ter vinte anos, estamos só começando. Todos vão ouvir falar de glúten. Todos PRECISAM OUVIR FALAR DE GLÚTEN!
“QUE DE REPENTE SE TRANSFORMOU NUMA GRANDE CAMPANHA NACIONAL”.
Sinceramente, eu gostaria muito que nossa campanha realmente fosse GRANDE, como você acha que é. Isso seria excelente! Mas ainda estamos apenas começando, apesar de algumas significativas e importantes conquistas! Em de 23 de dezembro de 1992 foi homologada a lei da rotulagem Lei Federal n° 8.543, que obriga a indústria a registrar “CONTEM GLUTEN” e foi homologada a LEI No 10.674, DE 16 DE MAIO DE 2003 que obriga a indústria a registrar no rótulo quando o produto é isento de glúten e de contaminação cruzada por glúten grafando “NÃO CONTÉM GLÚTEN”. Além dessas duas leis, em 2009, nós sociedade civil organizada conseguimos definir o Protocolo Clínico da Doença Celíaca que foi publicado pelo SUS. De toda forma: sim é uma campanha nacional pela rotulagem adequada.
“MAS NÃO VEJO O DIA EM QUE A PLACA “NÃO CONTÉM GLÚTEN” VAI APARECER ATÉ EM PÉ DE ALFACE”.
Nós celíacos também estamos ansiosos para que isso aconteça em todo o país, pois até água mineral tem esta informação em seu rótulo! Mas infelizmente muitos produtores ainda não se adequaram a legislação, e não rotulam corretamente seus produtos. Naturalmente, alface não deveria ter glúten. Entretanto, seria ingênuo da nossa parte em descartarmos a hipótese de que no processo de seleção, transporte, embalagem, distribuição e armazenamento as alfaces, cenouras, brócolis, bananas ou outros alimentos originariamente sem glúten, os mesmos estejam imunes de entrar em contato com farinha de trigo. Então, o que posso argumentar é: se na sua região ainda não estão etiquetando alfaces embaladas adequadamente tem algo errado e seria bom aproveitar e fazer uma denúncia a ANVISA, para que a lei seja cumprida, já que a senhora demonstrou preocupação quanto a esta questão.
PARA COROAR A ÊNFASE NUM COMPONENTE QUE ATÉ HÁ POUCO TEMPO ERA PRATICAMENTE DESCONHECIDO POR ESTAS BANDAS, CRIARAM O DIA DO CELÍACO (17 DE MAIO) PARA QUEM SOFRE DE INTOLERÂNCIA A ESSA PROTEÍNA.
Bom… aqui preciso fazer algumas considerações. Os cereais contendo glúten fazem parte da alimentação humana há cerca de 10 mil anos. Não sei quando a senhora começou a ouvir falar de glúten, mas penso que nesta ocasião ainda não era nascida. Para quem conhece História, 10 mil anos parece muita coisa, mas quando analisamos mais profundamente os registros das pesquisas arqueológicas, vemos que nossos primeiros ancestrais surgiram aqui por essas bandas, também conhecida como planeta Terra, há quase 7 milhões de anos e durante todo esse tempo não conheciam o glúten e por isso não adoeciam por causa de sua ingestão. Então, no fim das contas, acabo tendo de concordar que glúten é um item relativamente novo na alimentação humana. Sobre o dia do celíaco e sobre as campanhas que vem sendo realizadas, são todas necessárias para alertar sobre a gravidade das desordens relacionadas ao glúten (aproveito para sugerir a leitura do Consenso de Oslo, publicado em 2013, com as últimas recomendações sobre cada uma destas desordens e sobre o tratamento das mesmas). A doença celíaca é apenas uma dentre estas desordens, e ao contrário de sua crença, é uma doença autoimune, que afeta muito mais que a consistência das fezes… é uma doença que causa inflamação, atrofia e autodestruição da mucosa intestinal, local onde a maior parte dos nutrientes são absorvidos. Assim, um celíaco não tratado pode apresentar inúmeras deficiências nutricionais que podem se agravar a ponto de causa sua morte por desnutrição. Mas a celíaca também pode causar distúrbios neurológicos importantes, infertilidade, pode causar outras doenças autoimunes mais graves (já ouviu falar Lúpus ou artrite reumatoide, por exemplo?) e até mesmo câncer do trato gastrintestinal. Pois é… quem dera que fossemos apenas intolerantes! Mas a intolerância que eu vejo aqui, é das pessoas mal informadas em relação à nossa condição clínica…
FICO IMAGINANDO COMO É QUE FUNCIONA ESSE TIPO DE EXACERBAÇÃO, PORQUE GLÚTEN NÃO MATA NINGUÉM, NÃO É VENENO MORTAL”.
Já ouviu falar de um cara chamado Lucretius? Acho pouco provável, já que ele não tem conta no Instagram, nem no Twitter e nem tem perfil no Facebook. Mas também, isso não seria possível, pois faz muito tempo que ele morreu… viveu na época do império romano. Mas durante sua vida, uma de suas sábias frases dizia que “o que é remédio para uns, para outros é amargo veneno”. E ele nem devia saber o que era glúten! Mas sabia perfeitamente que algumas substancias aparentemente inócuas, como a comida, podia matar algumas pessoas. Pois é…. os alimentos contendo glúten podem saciar a fome de muita gente (como realmente o fizeram no Egito e em Roma, por exemplo), mas esses mesmos alimentos podem causar a nossa morte. E seria ótimo se fosse uma morte rápida e indolor, mas não é…. ele causa um longo processo de desnutrição, que vai minando nossas forças… pior ainda quando outras condições vem de brinde. E não, isso não começou há pouco tempo não! Também na época do Império Romano, há uns 2 mil anos atrás, um médico chamadoArataeus, que nem sabia o que era glúten, conseguiu descrever com riqueza de detalhes todo o quadro clínico que os celíacos mais graves apresentam e foi graças a ele que a Celíaca tem esse nome, pois em grego, koiliacos eram aqueles que “sofriam da barriga“. E os relatos deste médico já foram corroborados por escavações na região de Cosa, na Itália, onde encontraram corpos de pessoas que viveram na mesma época, apresentando todas as características descritas por ele…
NA REALIDADE ELE ESTÁ PRESENTE EM PROTEÍNAS DE TRIGO, CEVADA CENTEIO E OUTROS GRÃOS. MAS, EM COMPENSAÇÃO NÃO ESTÁ NO MILHO E EM SEUS DERIVADOS; FÉCULA DE BATATA, CARNES, PEIXES, AÇÚCAR, CACAU, GELATINAS E SORVETES. SAL, ÓLEO, AZEITES E MARGARINAS. ESSES ALIMENTOS E TODOS OS OUTROS FEITOS COM ELES, COMO BOLO DE FÉCULA DE BATATA POR EXEMPLO, PODEM SER CONSUMIDOS EM UMA DIETA SEM GLÚTEN
Na realidade, o glúten é uma proteína naturalmente presente nestes 3 grãos e por contaminação, na aveia. Não há glúten em nenhum outro grão, mas ele pode contaminar outros alimentos e torna-los impróprios ao nosso consumo. O glúten também é amplamente usado pela indústria alimentícia como agente espessante, como “melhorador” de farinha, como substituto da carne em produtos vegetarianos e até mesmo para aumentar a quantidade de condimentos, além de ser adicionado a caldos, molhos e feijão, para engrossa-los. Ele também pode estar presente no óleo, onde salgadinhos e empanados foram fritos, tornando uma mera batata frita, também imprópria ao nosso consumo. O glúten também é capaz de contaminar ambientes, superfícies e utensílios, reduzindo drasticamente nossas possibilidades de nos alimentarmos, inclusive dentro da nossa própria casa. Sim, e o glúten também está presente na colher de servir sorvete, aquela que encosta nas casquinhas de biscoito e depois vai para dentro de um baldinho cheio de água, enquanto o próximo cliente escolhe qual sabor vai querer… Ah! O glúten também pode estar dentro de um pote de manteiga ou margarina, previamente usado por alguém que comeu pão ou biscoito com glúten, E bolos de fécula de batata se tornam glutenados se forem batidos numa batedeira usada para bolos com farinha de trigo… e também, se o manipulador de alimentos não se lembrar de lavar as mãos após pegar em algo contendo glúten, ou após passar somente “um paninho” para limpar mesas e superfícies…
NÃO SEI A RAZÃO DESSE EXCESSO DE INFORMAÇÃO.
Você não sabe? Talvez eu possa ajudar e dizer que parte disso também é culpa minha, pois desde 2010 eu participo ativamente das ações realizadas pelas Acelbras e pela Fenacelbra, eu também produzo materiais educativos, dou aulas, palestras, distribuo panfletos e atéartigo cientifico já ajudei a escrever! Justamente para que o “excesso” de informação ajude outras pessoas da mesma forma que eu fui muito ajudada por quem começou e vem dando continuidade a essa luta. Aos meus antecessores e atuais colegas de militância, eu agradeço muito, pois sabe Deus como eu poderia estar agora… talvez nem tivesse condições de responder à sua matéria. E sabe o que eu acho? A informação que a senhora considera excessiva, eu ainda considero muito pouca… muita gente ainda não teve acesso a elas (inclusive profissionais de saúde e jornalistas) e eu me envergonho por isso, pois talvez eu não esteja tão empenhada quanto imagino…
UMA VEZ QUE A DOENÇA CELÍACA SE APRESENTA PRINCIPALMENTE NO TRATO INTESTINAL.
Mais uma vez eu gostaria muito que isso fosse verdade. Uma diarreia é o menos dos nossos problemas… quem dera que fosse o único, mas como disse anteriormente, até o cérebro pode ficar seriamente comprometido por causa da celíaca. Ah! E nem todos os celíacos apresentam queixas intestinais. Alguns sequer apresentam sintomas! Mas seus intestinos podem estar tão ou mais comprometidos que os dos demais celíacos. As lesões são tão complexas que além de exames de sangue, é necessário fazer uma biópsia do intestino, para avaliar o grau e a extensão das mesmas.
É UMA ALERGIA FORTE, MAS COMO OUTRA QUALQUER.
Não é uma alergia. E não é como outra qualquer. Alergias também podem matar e matam mais depressa, porque matam por asfixia. Doença celíaca é doença autoimune… é o corpo se autodestruindo
APESAR DE TODA A PREOCUPAÇÃO ELA ATACA APENAS 1% DA POPULAÇÃO, O QUE É NADA.
NADA por que nem a senhora nem seus familiares fazem parte destes 1%, correto? Aliás, aposto que não fazem parte desses 1% porque nunca pesquisaram. Nunca fizeram exames. Mas sabia que vocês podem ser celíacos também? A celíaca só pode ser descartada após a realização de todos os exames. E mesmo que seja temporariamente descartada, ela pode se manifestar em qualquer fase da vida, principalmente após fases de maior estresse, seja ele mental ou físico… E caso a senhora queira ter certeza de que não está entre o “quase nada” da população, sugiro procurar um médico e fazer os exames… Prefiro até nem entrar no mérito da falta de empatia, da discriminação em relação a minorias e outras coisas que por si só, dariam muitas páginas…
MAS, COMO VIROU MODA.
Virou moda, não! Voltou à moda! Comer sem glúten foi moda por 7 milhões de anos. Comer glúten foi uma modinha de 10 mil anos pra cá (sugiro a leitura deste livro, deste artigo,destedeste e de todos estes). E sabe porque comer sem glúten voltou a moda? Porque as pessoas passaram a ouvir mais seus corpos, passaram a se preocupar mais com bem-estar e qualidade de vida e viram que essa modinha de comer glúten estava encurtando a vida…
ENTROU FIRME E FORTE NAS RECOMENDAÇÕES DE DIETAS DAS ACADEMIAS
Há muito que os estudos científicos mostram que o exercício físico é indispensável à saúde. Então pessoas que se exercitam, se preocupam com seu bem-estar e qualidade de vida.
PRINCIPALMENTE PORQUE SERIA O VILÃO DO CRESCIMENTO DO ABDOMEM.
Fato. Glúten aumenta absurdamente o abdome. Mas você sabe por que? Porque inflama e distende as alças intestinais, causa desconforto e uma dor insuportável! Mas também pode fazer tumores crescerem dentro do abdome…

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Imagem encontrada no google

ENTRETANTO É BOM LEMBRAR: NEM TODO OBESO TEM ESSA INTOLERÂNCIA ALIMENTAR.
A obesidade é uma doença multifatorial. Tem obesos celíacos e obesos não celíacos.
NA REALIDADE A DIETA DE GLÚTEN EMAGRECE COMO QUALQUER OUTRO TIPO DE REGIME QUANDO A PESSOA DEIXA DE COMER FONTES DE CARBOIDRATOS COMO: PÃO, BOLO, DOCES…
Bom, aqui acho que houve um equívoco! O glúten é uma proteína e nem sempre ele está na companhia de carboidratos. Você já ouviu falar em seitan, produto muito consumido por vegetarianos? É glúten purinho! É PROTEÍNA. Ah! E antes que eu me esqueça… proteínas e carboidratos possuem as mesmas 4Kcal por grama!
A INGESTÃO MENOR DE CALORIAS VAI RESULTAR EM DECRÉSCIMOS NA BALANÇA. OU SEJA, DIMINUIR CALORIAS FAZ DIMINUIR QUILOS -E NÃO POR RETIRAR O GLÚTEN.
Depende! Pessoas com distúrbios tireoidianos, mesmo comendo pouco podem engordar… e pessoas que consomem muitas calorias, se forem muito ativas, podem ainda perder peso… Além disso, é comum que celíacos percam muito peso quando comem glúten e o recuperem após a exclusão deste item. Mas isso depende de muitos fatores…
VOCÊ PODERIA EMAGRECER DO MESMO JEITO SE RETIRASSE AÇÚCAR, GORDURAS, OU QUALQUER OUTRA SUBSTÂNCIA MUITO PRESENTE … EM COMIDA QUE TENDE A SER MAIS CALÓRICA, CLARO.
Você poderia emagrecer procurando a orientação especializada de um nutricionista e fazendo exercício orientado por um educador físico. Perder peso só com dieta é um dos piores negócios a se fazer… principalmente se for uma dieta restritiva e sem orientação
DIETAS SEM GLÚTEN SÃO MODISMO PURO, A MENOS QUE SEJA RECOMENDADA POR GASTROENTEROLOGISTA.
Bom… elas não são modismo. Elas são a diferença entre a vida e a morte de muita gente. Mas elas também podem ser uma opção, mesmo na ausência de qualquer problema com o glúten. Tanta gente por aí que resolve ser vegetariano, por exemplo. Tanta gente que abre mão da carne vermelha ou do álcool. Por que comer sem glúten não pode ser uma mera opção? As pessoas não têm mais direito de escolha? E o pior de tudo! Dietas são prescritas por NUTRICIONISTAS, os únicos profissionais legalmente habilitados para prescreve-las! O gastroenterologista é o responsável pelo diagnóstico, não pela dieta. E tem mais! Muitos celíacos são diagnosticados pelo dentista, pelo endocrinologista, pelo dermatologista, etc…
NOS ANOS 1960, O MÉDICO AMERICANO WILLIAN DAVIS, ESCREVEU O LIVRO “BARRIGA SEM TRIGO” QUE FOI PARAR DURANTE MESES E MESES NA LISTA DO NEW YORK TIMES. AMERICANO ADORA ESSE TIPO DE LEITURA, MAS NEM POR ISSO É O POVO MAIS MAGRO DA TERRA, MUITO PELO CONTRARIO?
Bom, americanos costumam dar muito mais valor à Ciência que nós, brasileiros, mesmo que tenham dificuldades em pôr em prática o que está nos estudos. E em relação aos estudossobre a Celíaca e Desordens Relacionadas ao Glúten, nem há como comparar o avanço das pesquisas americanas… Ah! Quase ia me esquecendo de um “pequeno detalhe”! Dois grandes pesquisadores da Doença celíaca, em universidades americanas, já estiveram no Brasil (mais precisamente no Rio de Janeiro), para nos ensinar sobre o assunto:

Dr Alessio Fasano
Dr Alessio Fasano – II COINE (2013). Créditos da Imagem: Spanhol Design
Ciaran Kelly
Dr. Ciaran Kelly – III COINE (2014). Créditos da Imagem: Spanhol Design

UM DOS SINAIS DA INDISPOSIÇÃO AO GLÚTEN É A DIARRÉIA SEM FATORES APARENTES. QUANDO ELA SE TORNA CONSTANTE E SEVERA, É BOM CONSULTAR O MÉDICO PARA SEGUIR UMA DIETA CORRETA, QUE VAI REEDUCAR O INTESTINO.
A senhora sabia que muitos celíacos não têm diarreia? E sabia que muitos celíacos não apresentam sintomas? Acho que já falei sobre isso alguns parágrafos acima, mas não custa lembrar… A diarreia não precisa ser constante e nem severa para que a celíaca cause graves lesões internas. E como eu falei… não é o médico que tem que prescrever dieta. Isso é atribuição PRIVATIVA DO NUTRICIONISTA
SÓ QUE NÃO É PRECISO LEVAR O CONTROLE AO EXAGERO.
Depende do que a senhora considera exagero. É exagero não querer morrer? Querer ter saúde para concluir os estudos, para trabalhar, para ter filhos e vê-los crescer com saúde? Se isso for exagero, então eu me assumo exagerada de carteirinha!
PORQUE NEM SEMPRE É VERDADEIRA AQUELA INFORMAÇÃO NA CAIXA DE QUE Os PRODUTOS NÃO CONTEM GLÚTEN.
Quando isso acontece, a empresa pode ser denunciada à Anvisa e autuada.
MUITOS APROVEITAM APENAS A TENDÊNCIA DO MOMENTO. ESTÃO COLOCANDO ESSA INFORMAÇÃO ATÉ EM EMBALAGENS DE PAÇOQUINHA DE AMENDOIM.
Essa informação tem que estar presente até em rótulo de água mineral! É LEI. Simples assim. E é uma grande conquista nossa. Sabemos as dificuldades enfrentadas por celíacos que moram em países onde não há legislação semelhante.
Aproveito para sugerir as seguintes leituras:
Protocolo clínico do SUS: http://bvsms.saude.gov.br/…/sas/2009/prt0307_17_09_2009.html
Leis de rotulagem: http://www.fenacelbra.com.br/…/blog/cat…/leis_nivel_federal/
Doenças associadas à celíaca: http://www.fenacelbra.com.br/…/doencas-associadas-a-doenca…/
Atenciosamente,
Dra. Juliana Crucinsky – Celíaca, Nutricionista, e Consultora Técnica da Acelbra RJ.

34 comentários sobre “Glúten: u

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Explicando os testes genéticos


Testes genéticos para determinar riscos de desenvolver doença celíaca

www.about.com
Jane Anderson - Atualizado 21 de abril de 2015.

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati

Compartilhado do Blog: http://dietasemgluten.blogspot.com.br/2015/06/testes-geneticos-para-determinar-riscos.html

Os seus genes vaão dizer se você está em risco para a doença celíaca.  
Getty Images / Mina De La Ó



A doença celíaca está ligada à hereditariedade, ou seja, você só pode desenvolver celíaca se você tiver os genes que predispõem  a ela. Portanto, os médicos estão cada vez mais usando testes genéticos da doença celíaca para determinar se alguém tem a predisposição a desenvolver a condição.

Quase todo mundo come glúten, uma proteína encontrada nos grãos de trigo, cevada e centeio. No entanto, em pessoas que têm os genes certos, a ingestão de glúten pode eventualmente levar à doença celíaca, uma condição autoimune que provoca os  glóbulos brancos que combatem doenças para atacar o revestimento do seu intestino delgado.

Nem todas as pessoas que transportam os genes de doença celíaca  irão desenvolver a doença celíaca - de facto, enquanto que até 40% da população tem um ou ambos os genes necessários, apenas 1% da população na verdade tem a doença celíaca.

Então, ter o potencial genético não significa que você vai ser diagnosticado com doença celíaca e precisa desistir do glúten; de fato, as probabilidades estão contra ele.

No entanto, o teste genético para a doença celíaca pode fornecer outra peça do quebra-cabeça de diagnóstico, especialmente nos casos em que o diagnóstico não é claro ou onde você está tentando determinar necessidades de testes futuros.

Testes genéticos da Doença celíaca  olham para dois genes

Tenha paciência comigo - isso fica complicado.

Os genes que predispõem à doença celíaca estão localizados no complexo do nosso DNA-HLA de classe II, e eles são conhecidos como os genes DQ. Toda a pessoa tem duas cópias de um gene DQ - um da mãe e outro do pai. Existem numerosos tipos de genes DQ, mas há dois que estão envolvidos na grande maioria dos casos de doença celíaca: HLA-DQ2 e HLA-DQ8 .

Destes, HLA-DQ2 é de longe o mais comum na população em geral, especialmente entre as pessoas com património europeu - cerca de 30% ou mais de pessoas cujos ancestrais vieram dessa  parte do mundo carregam HLA-DQ2.

HLA-DQ8 é considerada mais raro, aparecendo em cerca de 10% da população global, embora seja extremamente comum em pessoas da América Central e do Sul.

Estudos têm mostrado que cerca de 96% das pessoas diagnosticadas por biópsia com doença celíaca transportam DQ2, DQ8 ou alguma combinação dos dois. Desde que você tenha um gene DQ de sua mãe e um do seu pai, é possível para você ter duas cópias do DQ2, duas cópias de DQ8, uma cópia do DQ2 e um dos DQ8, ou um exemplar de qualquer DQ2 ou DQ8 combinado com outro gene DQ.

Em qualquer caso, se você levar uma cópia de qualquer DQ2 ou DQ8, você é tem um risco muito maior de desenvolver doença celíaca. Há alguma evidência de que carregar duas cópias de um dos genes (ou DQ2 ou DQ8) podem aumentar o risco ainda mais.

Pelo menos um estudo mostrou que um outro gene específico, o HLA-DQ7 , também predispõe indivíduos para doença celíaca. Na verdade, nesse estudo, 2% das pessoas com doença celíaca confirmada por biópsia , apresentou  HLA-DQ7, mas não DQ2 ou DQ8. No entanto, há alguma controvérsia sobre se, na verdade, tendo DQ7 predispõe à doença celíaca, e os testes genéticos nos EUA não reconhecem atualmente DQ7 como um "gene da doença celíaca".

Além disso, novas pesquisas  indicam que você não precisa ter HLA-DQ2 ou HLA-DQ8, para desenvolver Sensibildiade ao Glúten não-celíaca ( SGNC). Pode haver genes HLA-DQ adicionais envolvidos na sensibilidade ao glúten.

Teste de gene celíaco não é invasivo

Testes para os genes da doença celíaca não são invasivos. Você vai fornecer ao laboratório uma amostra de seu sangue ou usar um cotonete para coletar algumas das células de dentro de sua bochecha, ou ainda usar uma seringa para recolher  saliva. O seu sangue, células da bochecha ou saliva, em seguida, serão analisadas por um laboratório; qualquer um desses métodos produz resultados igualmente precisos.

A maioria das pessoas tem o teste genético realizado em conjunto com outros testes ordenados pelo seu médico.

No geral, esta é uma maneira indolor e precisa para determinar o seu risco genético para a doença celíaca. 

Resultado de Teste genético não é igual a um diagnóstico

Uma vez que nem todos que carregam um gene celíaco acabam de ser diagnosticado com a doença celíaca (na verdade, a maioria das pessoas não desenvolve a condição mesmo com o gene ), um teste genético positivo não é igual a um diagnóstico. 

O que o teste genético para doença celíaca positivo faz é colocá-lo no que os médicos consideram um grupo "de alto risco" para a doença celíaca. Portanto, os testes genéticos da doença celíaca são principalmente úteis para descartar a doença celíaca nos casos em que os sintomas celíacos estão presentes. Em alguns casos, uma pessoa pode ter os resultados dos testes sorológicos e resultados de biopsia do intestino delgado que não são claros, e um teste genético pode ajudar um médico fazer o diagnóstico adequado.

Testes genéticos também são úteis para descartar a doença celíaca em familiares de celíacos diagnosticados. A testagem para  doença celíaca em  parentes de celíacos é recomendada. Se você sabe que carrega o gene da doença celíaca, você deve ser seguido mais de perto.

Finalmente, é possível usar os testes genéticos para ver se a doença celíaca é uma possibilidade em alguém que já está consumindo uma dieta livre de glúten .

Você precisa estar consumindo glúten normalmente para fazer testes convencionais de doença celíaca. No entanto, algumas pessoas percebem que comer sem glúten as fazem se sentir melhor, e removem a proteína glúten de suas dietas antes de fazer os  testes para a doença celíaca. Se decidir mais tarde que eles querem um diagnóstico, eles têm duas opções: tentar um desafio de glúten  ou fazer os testes genéticos.

Você não precisa comer glúten para fazer o teste genético da doença celíaca - mais uma vez, o teste só determina se você tem o potencial para desenvolver a doença celíaca, não se você realmente é celíaco. Portanto embora  os testes genéticos não possam fornecer respostas absolutas sobre se você realmente tem a doença celíaca, muitas pessoas preferem fazê-lo do que tentar  um desafio de glúten, porque não querem  a voltar a ingerir glúten para obter mais informações sobre a sua condição.

Há muitas coisas  que não sabemos ainda sobre a doença celíaca, e não é claro por que algumas pessoas com genes da doença celíaca desenvolvem-na, enquanto outros não. No entanto, o teste genéticod a doença celíaca pode ajudar a determinar o risco para a condição de membros da família e, em casos que os dados não são completamente claros.

Fontes:

Celiac Disease Center at Columbia University. Serologic and Genetic Testing. Accessed Jan. 5, 2012.
National Institutes of Health. NIH Consensus Development Conference on Celiac Disease. Accessed Jan. 5, 2012.
Sacchetti L. et al. Discrimination between Celiac and Other Gastrointestinal Disorders in Childhood by Rapid Human Lymphocyte Antigen Typing. Clinical Chemistry. Aug. 1998, Vol. 44, No. 8, p. 1755-1757.
University of Chicago Celiac Disease Center. Genetic Testing. Accessed Jan. 5, 2012.



Original:

Sintomas de uma criança celíaca


Que sinais podem indicar que uma criança é celíaca

Os sintomas de doença celíaca se manifestam de uma forma diferente em cada criança. Por isso sempre é conveniente consultar o médico. É muito difícil estabelecer um quadro da sintomatologia da doença celíaca, já que a doença afeta as pessoas de formas distintas.
Algumas pessoas podem desenvolver a doença celíaca na infância e outros não a experimentam até a idade adulta. Suas manifestações clínicas e funcionais são muito variáveis e por isso uma pessoa aparentemente sadia pode sofrer dessa enfermidade sem sabê-lo.

O que indica que uma criança é celíaca

Sintomas da doença celíaca nas crianças
Os sintomas da doença celíaca também se diferenciam quanto ao que sente a criança. No início da doença, alguns podem ter constantes diarréias e dores abdominais, enquanto outros só apresentam irritabilidade, ansiedade ou depressão. E há aqueles também que só a detectam quando a doença se manifesta por uma intensa tensão emocional, quando necessita de uma cirurgia, ou quando sofre de uma lesão física ou uma infecção.
Em todo caso, a doença celíaca pode provocar sintomas como diarréia, flatulência excessiva, cansaço, perda de peso, e durante a infância, pode-se notar um atraso no crescimento nas crianças. Ainda que cada pessoa pode experimentar os sintomas de uma forma distinta.
Sintomas mais comuns da criança celíaca:
- Diarréia crônica ou prisão de ventre

- Perda de apetite, apesar de sentir fome
- Gases e cólicas intestinais
- Fezes mal cheirosas e pálidas
- Atraso no crescimento
- Fadiga, fraqueza e falta de energia
- Anemia
- Repetidas dores abdominais
- Inchaço abdominal
- Anemia inexplicável
- Cãibras musculares
- Dores nos ossos e articulações
- Sensação de formigamento e adormecimento das pernas
- Erupção dolorosa na pele
- Osteoporose
- Infertilidade
- Defeitos no esmalte dental

Sinais da doença celíaca nas crianças

É importante ressaltar que esses sintomas podem ser causados também por outros tipos de doenças. Para confirmar uma possível doença celíaca, é necessário realizar métodos diagnósticos mais profundos. Por isso, sempre consulte seu médico para o diagnóstico.
Os sintomas também variam segundo a idade. Em crianças, por exemplo, pode-se começar a detectar a intolerância ao glúten, quando se introduz a papinha na sua alimentação. As crianças podem ficar mais irritáveis, e se pode notar uma perda de peso e no tamanho. Normalmente, apresentam braços e pernas finas e uma barriga mais volumosa.
http://br.guiainfantil.com/saude/188-criancas-celiacas/307-sintomas-de-uma-crianca-celiaca.html
Lembrando que estes são apenas alguns sintomas!!!
Compartilhado de Celiacos Foods!