domingo, 29 de junho de 2014

Goma Xantana,CMC e Goma Guar!! Para que servem?

Compartilhado da amiga Viviane Moura Leite

Goma Guar, Goma Xantana e CMC na culinária sem glúten

Fazer pães, massas e bolos sem farinha de trigo é uma aventura que todo o indivíduo celíaco começa a viver assim que inicia sua busca por receitas mais saborosas e que se adaptem à sua realidade.

É o glúten presente na farinha de trigo que dá estrutura e elasticidade aos pães, massas e bolos. O glúten é uma proteína vegetal, encontrada no trigo, cevada, centeio e na aveia, ingredientes fundamentais para a confecção dos produtos de patisseria e confeitaria.
Um dos problemas na realização de pães, bolos e massas é que ao utilizarmos farinhas isentas de glúten temos resultados muito diferentes de quando usamos a farinha de trigo. A textura das preparações com farinhas sem glúten é bem diferente, mais seca e arenosa, sendo bastante difícil manter os componentes da massa unidos. 

Outra dificuldade é que é quase impossível obtermos um bom resultado em nossa receita usando um só tipo de farinha. Por esse motivo, a culinária gluten free usa farinhas preparadas ou mix de farinhas. Para fazer sua farinha preparada, clique aqui.

Buscando encontrar a mesma textura, estrutura e elasticidade nas massas sem glúten, podemos empregar a GOMA GUAR, a GOMA XANTANA e o CMC.  A maior parte das receitas sem glúten incluem estes ingredientes.

E o que são estes ingredientes?

A GOMA GUAR é uma fibra alimentar solúvel, retirada da semente de uma planta de origem paquistanesa e indiana, bastante utilizada na alimentação humana e do gado desde a antiguidade. Na industria alimentícia, a goma guar é usada como espessante ou como fibra alimentar em dietas de emagrecimento.
Quando misturada à água ou óleo, a GOMA GUAR, que é um pó, se converte num gel denso e viscoso que funcionará como emulsificante, espessante, geleificante e estabilizante da estrutura do alimento.
A GOMA GUAR pode ser utilizada em preparações frias como mousses, cremes e recheios, e também quentes, no preparo de pães, macarrão fresco ou seco, bolos e biscoitos.

A GOMA XANTANA  também é um poderoso recurso na elaboração de receitas de pães, bolos, massas e biscoitos sem glúten. A goma xantana é um pó, resultante da fermantação de uma bactéria. Assim como a goma guar, a goma xantana também é um emulsionante, estabilizante das misturas, espessante para molhos, temperos de saladas, sorvetes, produtos lácteos, sucos de frutas, por exemplo.
Por sua capacidade de manter a mistura de farinhas em suspensão, a GOMA XANTANA colabora para facilitar a manutenção dos gases decorrente da fermentação dos pães e bolos, permitindo que os pães e bolos fiquem fofos, mais estruturados e elásticos.

O C.M.C. também é um pó, muito utilizado no preparo de bolos. Seu nome é a abreviatura de carboximetilcelulose.  Seu sabor é neutro e funciona também como espessante das misturas cremosas como cremes, sorvetes e coberturas.  

Estes ingredientes são facilmente encontrados em lojas especializadas em produtos de patisserie e doces e também em lojas especializadas em produtos para pessoas com restrição alimentar.

Como podemos utilizar estes ingredientes?

Uso preferencialmente a goma guar no preparo de alimentos frios (sorvetes, mousses, molhos de salada), com o objetivo de encorpar a mistura e manter sua estrutura.
A goma xantana é melhor empregada na elaboração de bolos, tortas e pães, assim como o CMC.
Não é recomenndado usar a goma guar em receitas muito ácidas e cítricas, pois pode perder suas qualidades.

Você pode misturar as gomas às farinhas antes de começar a preparação da receita. (eu mantenho uma mistura de farinhas onde já acrescento a goma xantana).  Você também pode misturar as gomas ao óleo antes de adicioná-los aos demias ingredientes para a dissolução adequada.

Você pode observar que não existem proporções fixas nas misturas destes ingredientes nas receitas.
Normalmente a proporção mais comum é a de 1/2 a 2/3 de colher de chá para cada xícara de farinha empregada.
Em molhos de salada a proporção é de meia colher de chá para cada 200 ml de líquido.

Um abraço!
http://glutenfreegourmetsp.blogspot.com.br/2013/12/goma-guar-goma-xantana-e-cmc-na.html?spref=fb

sábado, 28 de junho de 2014

Cuidado com o Môfo!

Tradução google!

Às vezes Mold Toxicity é o elo perdido a problemas de saúde crônica

Comprometimento do sistema imunológico é mais suscetível a Mold

Muitas pessoas com sensibilidade ao glúten ter danificado trato gastrointestinal, inflamação crônica, atrofia muscular, e um sistema imunológico comprometido. Este conglomerado de disfunção pode definir o cenário para a toxicidade molde. Exposição Mold nos doentes crónicos pode sufocar a recuperação e impedir a restauração da saúde. O vídeo a seguir ilustra alguns dos problemas associados com a toxicidade do molde:

Os sintomas de toxicidade Mold pode imitar reações glúten

Há um número de problemas associados com a toxicidade do molde. Infelizmente, estes sintomas podem ser muito semelhante ao glúten sintomas de sensibilidade.Alguns dos problemas mais comuns provocados por exposição do molde são as seguintes:

O que procurar para afastar Mold

Imita o bolor negro glútenMold cresce onipresente em nossas casas, ambiente de trabalho e escolas. Os sinais mais evidentes de que o molde é um problema são o crescimento preto nas aberturas de ventilação, na argamassa telha do banheiro, ou qualquer outra superfície visível (especialmente tetos onde vazamentos de água tenham ocorrido). Mold também pode crescer em paredes de rocha da folha, em porões, escorra e pingadeiras, no tapete, onde a água ou outros fluidos ter derramado. Um dos sinais mais evidentes da presença de bolor é o cheiro do mosto em casa.
Mold nem sempre é visível. Se você suspeitar de mofo, você deve ter sua casa devidamente testado . Tive pacientes sem presença mofo visível descobrir colônias maciças depois de testes e investigação adequada. Eu não posso enfatizar isto o suficiente. Perdi pacientes para moldar as questões de toxicidade. Você também pode considerar o molde, se sua casa tem tido inundações prévia ou danos causados ​​pela água. Como assim, você deve tomar cuidado para investigar o seu carro para moldes tóxicos.
Um dos mais sinais do conto dizer de toxicidade molde pode vir do jeito que você sente quando se muda ambientes. Muitas pessoas vão notar me sentindo muito pior em edifícios com odores de mofo óbvios ou crescimento de fungos, enquanto se sentir melhor quando em um ambiente livre de mofo.

Teste você mesmo para Alergia Mold

Existem diferentes métodos de testes de laboratório para determinar alergias do molde.Uma das mais comuns é através do uso de IgE no sangue ou testes cutâneos. Este tipo de teste pode ser muito útil, mas nem sempre é uma prova completa. Se você suspeitar de mofo, você também deve ter a sua medida médico reacções de hipersensibilidade tardia a mofo. Algumas das espécies mais comuns de fungos que causam doenças humanas são:
  • Alternaria-esta espécie é muitas vezes isolado no seio, boca e nariz. Um bom médico otorrinolaringologista pode testar para ele. É uma causa comum de infecções respiratórias persistentes.
  • Aspergillus - Este molde domésticos comuns podem ser encontrados em tapetes, roupas e paredes. Ele também pode contribuir para infecções respiratórias.
  • Cladosporium - Este molde cresce tanto dentro como fora em áreas úmidas e é um gatilho comum para os sintomas da asma.
  • Fusarium - Esse tipo geralmente cresce em grãos de cereais e outras culturas. Ele é um dos maiores produtores de fumonisina molde toxina em amendoim e milho .
  • Penicillium é uma espécie de fungos comuns encontrados dentro de casa e sobre os alimentos. Ele cresce geralmente em dutos de carpete e ar
  • Trichophyton - Este molde é responsável pelo que muitos chamam de pé de atleta, Jock coceira, e um anel de worm.

Fazer isso para evitar crescimento do molde em sua casa

Há várias medidas preventivas que você pode tomar para controlar o crescimento de mofo em sua casa. Uma das mais fáceis é manter a umidade relativa do ar em sua casa em 55%. Porque o ar condicionado é um desumidificador natural mantê-lo funcionando pode ajudar. Se você já executar o CA eo nível de umidade é ficar alta, considere um desumidificador. Abaixo está uma lista de itens que você vai querer ter certeza de que ficar em cima de:
  • Mude os filtros de ar regularmente.
  • Substitua tapete com telha
  • Use colchão e travesseiro tampas
  • Usar um purificador de ar de alta qualidade (deve conter HEPA, luz UV, e um gerador de ozônio de baixo nível)
  • Se você tendo o crescimento de fungos existentes em níveis tóxicos, você precisa procurar uma empresa de remediação do molde.

Apoiar o seu sistema imunológico

Porque a exposição molde crônica pode causar estragos na sua função imunológica, você certamente vai querer manter um ambiente limpo, sem glúten VERDADEIROdieta. Você pode considerar evitando alimentos que contenham mofo ou ajudar com a proliferação de mofo. Alguns dos mais comuns incluem: açúcar, álcool, amendoins, pistaches, produtos fora do "self servir caixas" na mercearia, frutas secas, aditivos levedura, e alimentos ricos em amido. O uso de vitamina C e vitamina D pode ser muito útil em atenuar danos molde induzido e controlar a inflamação.
http://www.glutenfreesociety.org/gluten-free-society-blog/sometimes-mold-toxicity-is-the-missing-link-to-chronic-health-issues/?inf_contact_key=371e6b4428ac18528836d2603eb20113019d36d9f719b9d4459e232c1eb23758

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Anemia Microcítica Hipocrômica

molestias abdominales
Anemia microcítica hipocrômica em celíaca. Doença celíaca em vários sintomas tais como diarreia, flatulência, desconforto abdominal e obstipação e outros estão presentes, mas também podem ser sintomas extra-intestinais resultantes da doença.
Uma delas é a anemia microcítica hipocrômica, consistindo de uma deficiência de ferro, porque o intestino é vilosidades danificado e não é absorver nutrientes; Além disso, há muitas vezes deficiente em vitamina B12 e ácido fólico.
Tendo em falta desses nutrientes conduz ao aparecimento deanemias desencorajamento constante e fadiga; Também está associada com as seguintes doenças:
As doenças infecciosas, como o HIV, sífilis, osteomielite, pneumonia, abcessos pulmonares.
Doença inflamatória como artrite reumatóide, doença inflamatória do intestino ou sarcoidose.
Neoplasias como carcinomas e linfomas.
Lesões hísticas extensa como grandes úlceras de pele quemaduraso.
Outros, como a doença hepática alcoólica, distúrbios endócrinos, DPOC, neuropatias.
Relacionados:

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cinco coisas que os celíacos querem que VOCÊ saiba sobre a doença celíaca


Celiac.com -12 de junho de 2014
Jefferson Adams

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati



1 - Celíacos  não fazem uma dieta da moda.

Doença celíaca não é  uma condição passageira. Ela é uma doença autoimune potencialmente grave que, se não tratada, pode levar a  tipos mortais de câncer de estomago, intestino e outros. Só porque um monte de pessoas pensa que o glúten é a "bola da vez" das dietas de emagrecimento rápido, não significa que os celíacos sejam um deles. Lembre-se, para as pessoas com doença celíaca a dieta não é brincadeira, pois evitar o glúten é a única maneira de se manter saudável.

2 -  A doença celíaca é uma condição crônica (por toda a vida).

Atualmente, não há cura para a doença celíaca, e o único tratamento é uma dieta isenta de glúten. Essa é a única maneira de evitar o dano intestinal, menores riscos para outros tipos de doenças autoimunes, e minimizar o risco de vários tipos de câncer associados à doença celíaca.

3 - A doença celíaca quando não tratada é um estado grave

Como os efeitos da doença celíaca não tratada se desdobram lentamente ao longo do tempo, é tentador para algumas pessoas olharem para ela apenas como um "pequeno inconveniente". No entanto, é importante entender que a doença celíaca é uma doença autoimune potencialmente grave e que, se não tratada, pode deixar as pessoas suscetíveis a outras doenças autoimunes, e tipos mortais de câncer de estômago, intestino e outros. "A doença celíaca quando não tratada, MATA!"

4- Micro-partículas de glúten podem adoecer os celíacos.

Não há tal coisa como "um pouquinho de glúten" para as pessoas com doença celíaca. Danos no intestino ocorrem com quantidades tão pequenas quanto 20ppm (partes por milhão) de glúten. Isso é uma quantidade microscópica. A  dieta sem glúten significa que é ZERO glúten. 

5- Quando você tiver dúvida, pergunte.

Se você não tem certeza se o celíaco pode comer com segurança um determinado ingrediente, ou um determinado alimento, é só perguntar. Descobrir o que está ou não está livre de glúten pode ser complicado, até mesmo para os celíacos. Então, se você tem dúvidas, pergunte.



http://dietasemgluten.blogspot.com.br/

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sensibilidade ao glúten tem novas explicações

Proteínas e carboidratos do trigo podem induzir respostas do sistema imune inato .



 Por Julianne Wyrick

‘Você é a enfermeira? Mas você é tão jovem... – perguntei à minha mãe, enquanto voltava lentamente de minha sonolência induzida por anestesia. Aparentemente eu não estava consciente o bastante para saber quem era ela (por sorte, fui bem educada) depois da endoscopia. Depois de amostrar o tecido intestinal, ele poderia me dizer se eu tinha doença celíaca, uma doença autoimune em que alimentos contendo glúten provocam a destruição da forragem interna do intestino delgado.

Logo o diagnóstico chegou: negativo. Meu médico explicou que, em vez da doença celíaca, uma “sensibilidade ao glúten” era provavelmente a causa do inchaço e dor abdominal que eu vinha sentindo. Se eu removesse ou diminuísse o glúten na minha dieta, provavelmente poderia reduzir meus sintomas. Foi isso que eu fiz. E na maior parte do tempo, ficar longe do glúten afastou o desconforto.

Mas por fim minha formação científica prevaleceu. Precisei saber o que realmente estava acontecendo em meu corpo. O que “sensibilidade ao glúten” realmente significa?

Infelizmente, não existe resposta fácil. Quando pacientes sem doença celíaca exibem sintomas que melhoram com uma dieta livre de glúten, eles são frequentemente classificados como “sensíveis ao glúten”. Esses sintomas podem ir de dores abdominais a inchaço e fatiga.

No passado, a própria existência da doença foi questionada devido a seu diagnóstico incerto. No entanto, como aponta o
 New York Times, novos estudos sugerem que a sensibilidade ao glúten existe de fato.

O que isso e outros artigos recentes não mencionaram é que pesquisadores tiveram algumas ideias interessantes sobre seu funcionamento. Também descobriram que a chamada “sensibilidade ao glúten” pode não ser provocada pelo glúten afinal.

Para entender novas pesquisas sobre a sensibilidade ao glúten, primeiro é importante entender as duas outras doenças induzidas pelo glúten: a doença celíaca e a alergia ao trigo. As duas doenças envolvem o sistema imune.

Na doença celíaca, a presença de glúten no intestino delgado dispara uma resposta do sistema imune adaptativo, a parte do sistema imune que reage a invasores específicos com a produção de anticorpos. A reação imune indesejada acaba levando o corpo a atacar seus próprio enterócitos saudáveis, ou células que forram o intestino delgado.

Um das razões para a ocorrência dessa resposta indesejada é que indivíduos com doença celíaca têm um “intestino que vaza” [
leaky gut]. O revestimento do intestino delgado normalmente é revestido de enterócitos “colados” uns aos outros por junções firmes. Em pessoas com doença celíaca, a adesão não se sustenta. Fragmentos de glúten podem escapar por essas lacunas e provocar uma resposta imune adaptativa que danifica o tecido intestinal (o mecanismo completo é descrito em grande detalhe neste artigo de 2009 da Scientific Americanhttp://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=celiac-disease-insights).

O segundo tipo de doença induzida por glúten, a alergia ao trigo, também é mediada em parte pelo sistema imunológico adaptativo. Nessa doença, o glúten induz a síntese de anticorpos IgE que provocam uma inflamação. A inflamação pode provocar desconforto local e danos a tecidos saudáveis.

Pessoas com “sensibilidade ao glúten”, por outro lado, não apresentam evidências para o tipo de reações imunes que ocorrem em pessoas com doença celíaca ou alergia ao trigo.

Então o que está provocando a sensibilidade ao glúten? Algumas pesquisas recentes sugerem que o problema ainda está no sistema imune. No entanto, em vez de ser provocada pela porção adaptativa, acredita-se que está associada ao sistema imune inato.

Se o sistema imune adaptativo é um alfaiate que desenha jaquetas personalizadas, o sistema imune inato usa ponchos de tamanho único. Em vez de produzir anticorpos que reconhecem invasores específicos, células do sistema imune inato têm receptores conhecidos como TLRs que reconhecem grandes padrões presentes em grande variedade de invasores. Então, os TLRs disparam uma resposta inflamatória rápida.

Um estudo de 2011 descobriu que pacientes sensíveis ao glúten tem maior expressão dos TLRs se comparados a pacientes do grupo de controle. Essa descoberta sugere o envolvimento do sistema imune inato. Além disso, o estudo apoiou a ideia de que o sistema imune adaptativo não está envolvido na “sensibilidade ao glúten”. Enterócitos de pacientes sensíveis ao glúten ficam fortemente aderidos, ao contrário dos pacientes com doença celíaca. Como resultado, fragmentos de glúten não conseguem passar entre as células para ativar o sistema imune adaptativo.

Mas será que essa resposta imune é realmente provocada pelo glúten? Dados de outro estudo publicado em dezembro sugerem que uma família de proteínas do trigo pode ser a responsável. As proteínas, inibidores de amilase-tripsina, ou ATIs, ativaram um tipo de TLR e provocaram uma resposta imune inata em células do sistema imune humano e em ratos vivos.

Interessantemente, a quantidade de ATI no trigo sofreu um aumento dramático em anos recentes. Proteínas ATI naturalmente protegem o trigo de pragas. Como o trigo é produzido para ser cada vez mais resistente a pragas, a quantidade de ATI também aumenta. Um aumento em ATIs pode explicar o que parece ser uma quantidade cada vez maior de pessoas sensíveis ao glúten.

ATIs não são as únicas moléculas não-glúten acusada de estar por trás da chamada “sensibilidade ao glúten”. Carboidratos do trigo, conhecidos como FODMAPs, também foram implicados. Essas moléculas, no entanto, não provocam desconforto abdominal e outros sintomas devido a uma resposta imune. Em vez disso, a natureza não-digerível desses carboidratos pode provocar retenção hídrica e produção de gás no intestino delgado, levando a inchaços.

Ainda que tenhamos feito algum progresso para uma melhor compreensão do que pode provocar a “sensibilidade ao glúten”, ainda restam muitas perguntas. Nesse meio tempo, para quem recebeu a recomendação médica de uma dieta sem glúten, haverá muitos alimentos para escolher, já que o mercado sem glúten continua a crescer. 
Loja Duetto


‘Você é a enfermeira? Mas você é tão jovem... – perguntei à minha mãe, enquanto voltava lentamente de minha sonolência induzida por anestesia. Aparentemente eu não estava consciente o bastante para saber quem era ela (por sorte, fui bem educada) depois da endoscopia. Depois de amostrar o tecido intestinal, ele poderia me dizer se eu tinha doença celíaca, uma doença autoimune em que alimentos contendo glúten provocam a destruição da forragem interna do intestino delgado.

Logo o diagnóstico chegou: negativo. Meu médico explicou que, em vez da doença celíaca, uma “sensibilidade ao glúten” era provavelmente a causa do inchaço e dor abdominal que eu vinha sentindo. Se eu removesse ou diminuísse o glúten na minha dieta, provavelmente poderia reduzir meus sintomas. Foi isso que eu fiz. E na maior parte do tempo, ficar longe do glúten afastou o desconforto.

Mas por fim minha formação científica prevaleceu. Precisei saber o que realmente estava acontecendo em meu corpo. O que “sensibilidade ao glúten” realmente significa?

Infelizmente, não existe resposta fácil. Quando pacientes sem doença celíaca exibem sintomas que melhoram com uma dieta livre de glúten, eles são frequentemente classificados como “sensíveis ao glúten”. Esses sintomas podem ir de dores abdominais a inchaço e fatiga.

No passado, a própria existência da doença foi questionada devido a seu diagnóstico incerto. No entanto, como aponta o
 New York Times, novos estudos sugerem que a sensibilidade ao glúten existe de fato.

O que isso e outros artigos recentes não mencionaram é que pesquisadores tiveram algumas ideias interessantes sobre seu funcionamento. Também descobriram que a chamada “sensibilidade ao glúten” pode não ser provocada pelo glúten afinal.

Para entender novas pesquisas sobre a sensibilidade ao glúten, primeiro é importante entender as duas outras doenças induzidas pelo glúten: a doença celíaca e a alergia ao trigo. As duas doenças envolvem o sistema imune.

Na doença celíaca, a presença de glúten no intestino delgado dispara uma resposta do sistema imune adaptativo, a parte do sistema imune que reage a invasores específicos com a produção de anticorpos. A reação imune indesejada acaba levando o corpo a atacar seus próprio enterócitos saudáveis, ou células que forram o intestino delgado.

Um das razões para a ocorrência dessa resposta indesejada é que indivíduos com doença celíaca têm um “intestino que vaza” [
leaky gut]. O revestimento do intestino delgado normalmente é revestido de enterócitos “colados” uns aos outros por junções firmes. Em pessoas com doença celíaca, a adesão não se sustenta. Fragmentos de glúten podem escapar por essas lacunas e provocar uma resposta imune adaptativa que danifica o tecido intestinal (o mecanismo completo é descrito em grande detalhe neste artigo de 2009 da Scientific Americanhttp://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=celiac-disease-insights).

O segundo tipo de doença induzida por glúten, a alergia ao trigo, também é mediada em parte pelo sistema imunológico adaptativo. Nessa doença, o glúten induz a síntese de anticorpos IgE que provocam uma inflamação. A inflamação pode provocar desconforto local e danos a tecidos saudáveis.

Pessoas com “sensibilidade ao glúten”, por outro lado, não apresentam evidências para o tipo de reações imunes que ocorrem em pessoas com doença celíaca ou alergia ao trigo.

Então o que está provocando a sensibilidade ao glúten? Algumas pesquisas recentes sugerem que o problema ainda está no sistema imune. No entanto, em vez de ser provocada pela porção adaptativa, acredita-se que está associada ao sistema imune inato.

Se o sistema imune adaptativo é um alfaiate que desenha jaquetas personalizadas, o sistema imune inato usa ponchos de tamanho único. Em vez de produzir anticorpos que reconhecem invasores específicos, células do sistema imune inato têm receptores conhecidos como TLRs que reconhecem grandes padrões presentes em grande variedade de invasores. Então, os TLRs disparam uma resposta inflamatória rápida.

Um estudo de 2011 descobriu que pacientes sensíveis ao glúten tem maior expressão dos TLRs se comparados a pacientes do grupo de controle. Essa descoberta sugere o envolvimento do sistema imune inato. Além disso, o estudo apoiou a ideia de que o sistema imune adaptativo não está envolvido na “sensibilidade ao glúten”. Enterócitos de pacientes sensíveis ao glúten ficam fortemente aderidos, ao contrário dos pacientes com doença celíaca. Como resultado, fragmentos de glúten não conseguem passar entre as células para ativar o sistema imune adaptativo.

Mas será que essa resposta imune é realmente provocada pelo glúten? Dados de outro estudo publicado em dezembro sugerem que uma família de proteínas do trigo pode ser a responsável. As proteínas, inibidores de amilase-tripsina, ou ATIs, ativaram um tipo de TLR e provocaram uma resposta imune inata em células do sistema imune humano e em ratos vivos.

Interessantemente, a quantidade de ATI no trigo sofreu um aumento dramático em anos recentes. Proteínas ATI naturalmente protegem o trigo de pragas. Como o trigo é produzido para ser cada vez mais resistente a pragas, a quantidade de ATI também aumenta. Um aumento em ATIs pode explicar o que parece ser uma quantidade cada vez maior de pessoas sensíveis ao glúten.

ATIs não são as únicas moléculas não-glúten acusada de estar por trás da chamada “sensibilidade ao glúten”. Carboidratos do trigo, conhecidos como FODMAPs, também foram implicados. Essas moléculas, no entanto, não provocam desconforto abdominal e outros sintomas devido a uma resposta imune. Em vez disso, a natureza não-digerível desses carboidratos pode provocar retenção hídrica e produção de gás no intestino delgado, levando a inchaços.

Ainda que tenhamos feito algum progresso para uma melhor compreensão do que pode provocar a “sensibilidade ao glúten”, ainda restam muitas perguntas. Nesse meio tempo, para quem recebeu a recomendação médica de uma dieta sem glúten, haverá muitos alimentos para escolher, já que o mercado sem glúten continua a crescer. 

 http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/sensibilidade_ao_gluten_tem_novas_explicacoes.html