domingo, 31 de julho de 2016

Biologia da sensibilidade ao trigo




Pesquisadores de Columbia encontram explicações biológicas para sensibilidade ao trigo

Título original:
Columbia Researchers Find Biological Explanation for Wheat Sensitivity

Fragilidade da barreira intestinal, ativação do sistema imune podem explicar os sintomas de pessoas sem doença celíaca.

NEW YORK, NY (26 de Julho, 2016) -Um novo estudo pode explicar porque as pessoas que não têm a doença celíaca ou alergia ao trigo, no entanto, experimentam uma variedade de sintomas gastrointestinais e extra-intestinais após a ingestão de trigo e cereais relacionados. Os resultados sugerem que estes indivíduos possuem uma barreira intestinal enfraquecida, o que leva a uma resposta imunitária inflamatória em todo o organismo.

As conclusões do estudo, que foi conduzido por pesquisadores da Columbia University Medical Center (CUMC), foram relatados na revista Gut.

"Nosso estudo mostra que os sintomas relatados pelos indivíduos com esta condição não são fantasiosos, como algumas pessoas têm sugerido," disse o co-autor do estudo Peter H. Green, MD, Phyllis e Ivan Seidenberg, professores de Medicina na CUMC e diretores do centro de doença celíaca. "Isto demonstra que existe uma base biológica para estes sintomas em um número significativo destes pacientes."

A doença celíaca é uma doença auto-imune em que o sistema imunitário ataca erroneamente a camada que forra o intestino delgado após alguém - que é geneticamente susceptível à doença - ingerir glúten de trigo, centeio, ou cevada. Isto leva a uma variedade de sintomas gastrointestinais, incluindo a dor abdominal, diarreia, e inchaço.

Os pesquisadores têm se esforçado para determinar por que algumas pessoas, que não têm no sangue e nos tecido os característicos marcadores genéticos da doença celíaca, passam a ter experiência de sintomas gastrointestinais semelhantes ao celíacos, bem como certos sintomas extra-intestinais, tais como fadiga, dificuldades cognitivas, ou perturbação do humor, após a ingestão de alimentos que contêm trigo, centeio, ou cevada. Uma explicação para esta condição, conhecido como Sensibilidade Não Celíaca ao Trigo (em inglês: NCWS), é que a exposição aos grãos ofensivos de algum modo desencadeia a ativação imunitária sistêmica aguda, em vez de uma resposta imune intestinal estritamente localizada. Uma vez que não há biomarcadores para NCWS, números precisos para a sua prevalência não estão disponíveis, mas estima-se que afeta cerca de 1 por cento da população, ou cerca de 3 milhões de americanos, mais ou menos na mesma prevalência da doença celíaca.

No novo estudo, a equipe da CUMC examinou 80 indivíduos com essa sensibilidade NCWS, 40 indivíduos com doença celíaca e 40 controles saudáveis. Apesar da extensão de danos intestinais associados com a doença celíaca, os marcadores de sangue de ativação imunitária sistêmica inata não foram elevados no grupo de doença celíaca. Isto sugere que a resposta imune do intestino em pacientes com doença celíaca é capaz de neutralizar micróbios ou componentes microbianos que podem passar através da barreira intestinal danificada, impedindo assim uma resposta inflamatória sistêmica contra moléculas altamente imuno-estimuladoras.

Com o grupo NCWS isso foi marcadamente distinto. Eles não têm as células T citotóxicas intestinais vistas em pacientes com doença celíaca, apesar deles possuírem um marcador de danos celulares intestinais que são correlacionados com marcadores sorológicos de ativação imune sistêmica aguda. Os resultados sugerem que a ativação imunitária sistêmica identificada na NCWS está associada ao aumento da translocação de componentes microbianos e dietéticos a partir do intestino para a circulação, em parte devido a lesão da célula intestinal e do enfraquecimento da barreira intestinal.

"Um modelo de ativação imune sistêmica seria consistente com o início geralmente rápido dos sintomas relatados nas pessoas com sensibilidade ao trigo não-celíaca", disse o líder do estudo Armin Alaedini, PhD, professor assistente de medicina na Universidade de Columbia. Ele também tem cargo no Instituto de Nutrição Humana de Columbia (Institute of Human Nutrition ) e é um membro do Centro de Doença Celíaca Center (Celiac Disease Center).

Os pacientes NCWS que seguiram uma dieta que excluía trigo e cereais relacionados por seis meses foram capazes de normalizar os níveis de ativação imune e marcadores intestinais de dano celular, foi o que os pesquisadores também descobriram. Estas alterações foram associadas com melhora significativa em ambos os sintomas intestinais e não-intestinais, como relatado pelos pacientes em questionários detalhados.

Dr. Alaedini acrescentou: "Os dados sugerem que, no futuro, poderemos ser capazes de usar uma combinação de biomarcadores para identificar pacientes com sensibilidade não-celíaca ao trigo, e controlar a sua resposta ao tratamento."

O estudo envolveu uma colaboração internacional entre pesquisadores CUMC e da Universidade de Bolonha, na Itália. "Estes resultados mudam o paradigma em nosso reconhecimento e compreensão da sensibilidade ao trigo não-celíaca e provavelmente vai ter implicações importantes para o diagnóstico e tratamento", disse o co-autor Umberto Volta, MD, professor de medicina interna na Universidade de Bolonha. "Considerando o grande número de pessoas afetadas pela patologia e seu significativo impacto negativo para a saúde nos pacientes, esta é uma área importante de pesquisa que merece muito mais atenção e financiamento."

Em estudos futuros do quadro de NCWS, Dr. Alaedini e sua equipe tem plano de investigar os mecanismos responsáveis ​​pelo desencadeamento do dano intestinal e da violação da barreira epitelial e melhor caracterizar as respostas das células imunes.

-------------------------------------------------------------------



Sobre o estudo:

O estudo é intitulado, , “Intestinal cell damage and systemic immune activation in individuals reporting sensitivity to wheat in the absence of celiac disease.” Os outros contribuintes são Melanie Uhde (CUMC), Mary Ajamian (CUMC), Giacomo Caio (Universidade de Bolonha, Bolonha, Itália), Roberto de Giorgio (Universidade de Bolonha, Bolonha, Itália), Alyssa Indart (CUMC) e Elizabeth C. Verna (CUMC).

This study was supported by grants from the National Center for Advancing Translational Sciences, National Institutes of Health (UL1 TR000040), and the Stanley Medical Research Institute.

Os autores relatam que não há conflitos financeiros ou outros de interesse.

LINK DO ORIGINAL aqui
http://lipidofobia.blogspot.com.br/

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Um Pouco Sobre a História do Tratamento dos Celíacos

(Parte 1)

 Há muito tempo, todos as pessoas eram totalmente sem glúten e viviam tranquilamente. Até que um dia, o homem descobriu a agricultura e começou a se dedicar a plantação de trigo.

Anos se passaram, e cada vez mais o trigo recebe novas utilidades, como a leveza, textura, elasticidade e viscosidade na criação de pães, massas e outros produtos. E depois disso, o que aconteceu?A quase dois mil anos, Aretaus, notório médico da Capadócia, reportou o que seria o primeiro caso de doença celíaca, quando descreveu seu paciente com “koilakos”, “sofrimento no intestino”.

  • Em 1888, Samuel Gee, conhecido médico britânico, publicou a primeira descrição clínica sobre a doença celíaca, no qual ele a relatava como uma síndrome de mal-absorção causada através da ingestão de algum alimento ainda não identificado, e que pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, porém é mais apta de se desenvolver em crianças. Samuel Gee estava realmente correto na maior parte de seus pensamentos, entretanto, ele se equivocou ao acreditar em que a resposta para o tratamento fosse a ingestão de pães cortados em pedaços mais finos e tostados nas laterais.

  •  Em 1941, Willem-Karel Dicke, um pediatra holandês, se tornou o pioneiro da dieta sem glúten ao publicar um artigo sobre o assunto. Ele percebeu que o trigo era a adversidade que algumas pessoas estavam enfrentando, já que após a Segunda Guerra Mundial, a farinha de trigo foi reintroduzida na dieta dos habitantes, elevando o número de casos com DC (durante este período de guerra, o amido de batata era mais acessível do que a farinha de trigo).

    A banana foi a base da dieta sem glúten no início do tratamento dos celíacos (influenciado por Sidney Haas que a havia desenvolvido em 1920). Importante enfatizar que nessa época não havia o conceito do glúten. Assim, todas as comidas para o tratamento da DC continham banana, já que era o único alimento que eles estavam convictos em que o trigo não estava presente. Após meses de melhora, o paciente era introduzido a outras frutas, vegetais, leite, etc. Entretanto, Dr. Dicke acreditava que a doença celíaca podia ser superada. Por essa razão, quando o paciente se mostrava mais saudável, os médicos o liberavam da dieta restritiva. Dicke também se equivocou ao descrever a doença celíaca como um problema gastrointestinal e que se desenvolvia somente em crianças da Europa, de olhos cerúleos e cabelo loiros, e todas caucasianas.

    historia do gluten.jpg   sciart.eu

    Fontes:

    Fasano, Alessio, and Susie Flaherty. Gluten Freedom: The Nation’s Leading Expert Offers the Essential Guide to a Healthy, Gluten-free Lifestyle. New York: Wiley General Trade, n.d. Print.

    “Samuel Gee.” – Wikipédia, a Enciclopédia Livre. N.p., 14 July 2016. Web. 23 July 2016.

    Berge-Henegouwen, G. P Van. “Pioneer in the Gluten Free Diet: Willem-Karel Dicke 1905-1962, over 50 Years of Gluten Free Diet.”Gut. U.S. National Library of Medicine, Nov. 1993. Web. 23 July 2016.

 (Parte 2)

Anos após a descrição de Dr. Dicke relatando casos de doença celíaca (DC) que ocorreram somente em partes da Europa, cientistas começaram a se perguntar sobre esta distribuição peculiar e acreditar em algumas teorias com diversas falhas.

  • Em 1996, Dr. Carlo Catassi, renomado gastroenterologista, fez um estudo começando na Itália, mostrando que 1 em cada 184 pessoas em que foram colhidas amostras de sangue tinham a doença celíaca, e que a maioria daqueles assintomáticos (lembrando que alguns dos sintomas da doença celíaca podem ser diarreia, dor no abdômen, fadiga e fezes anormais), não eram diagnosticados caso o médico não fosse atrás da causa como o glúten. Com esses resultados, a pesquisa foi amplificada e outros países como Líbia, Egito, Norte da África, Índia e China apresentaram casos de pacientes desenvolvendo a DC.

    Foi possível ver o crescente de países com cada vez mais pessoas com a doença celíaca, já que tempos atrás suas dietas eram a base de alimentos naturalmente sem glúten, como por exemplo, o arroz presente na cultura chinesa, e que atualmente foi substituído por diversos outros alimentos industrializados contendo trigo, centeio, cevada, triticale (cereal híbrido resultado da mistura do trigo e centeio), etc.

  • Os Estados Unidos, estranhamente, não apresentavam casos de pessoas com a DC, sendo muito raro um paciente que a desenvolve-se. Assim, em 2004, Alessio Fasano, gastroenterologista muito conhecido por seu envolvimento na doença celíaca e autor do livro “Gluten Freedom“, realizou uma pesquisa envolvendo 13.000 pessoas, e os resultados foram inesperados. 1 em cada 133 pessoas nos EUA possuem a doença celíaca, semelhante aos números de outros países. 

    Fontes:

    Fasano, Alessio, and Susie Flaherty. Gluten Freedom: The Nation’s Leading Expert Offers the Essential Guide to a Healthy, Gluten-free Lifestyle. New York: Wiley General Trade, n.d. Print.

  • https://totalmentesemgluten.wordpress.com

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Doença celíaca - não é necessário ter atrofia das vilosidades para o diagnóstico

4/12/2013
Dra Vikki Petersen

Tradução: Raquel Benati

Palavras do Criador da Escala MARSH (de Classificação da Biópsia intestinal) 



Imagine ser o "pai" da escala de biópsia intestinal e ter sua opinião ignorada. Seria um pouco frustrante, para não mencionar o coração, quando o trabalho de toda a sua vida foi dedicado a ajudar as pessoas com doença celíaca e sensibilidade ao glúten .

Uma recente entrevista com o Dr. Michael Marsh, o fundador da Escala Marsh de Classificação da biópsia intestinal, revelou que ele está em total desacordo com a norma utilizada por gastroenterologistas para determinar se um paciente deve ser diagnosticado com doença celíaca e começar uma dieta livre de glúten.

Em uma discussão fascinante liderada pelo Dr. Thom O'Bryan, no Evento "the Gluten eSummit", o Dr. Marsh revelou que ele criou o seu sistema de classificação em 1982 e, em 1992, falou formalmente em uma conferência internacional, tornando-se bastante claro que não ser feita recomendação de uma dieta sem glúten para um paciente com exame de sangue positivo, mas com uma biópsia negativa, é uma situação médica que envolve questões legais. O que significa que o médico que se recusa a recomendar uma dieta sem glúten pode ser responsabilizado pelo paciente se ele mais tarde desenvolver deficiências nutricionais graves, osteoporose ou o câncer, para citar alguns dos muitos cenários negativos possíveis.

Dr. Marsh afirmou que ele já havia conhecido indivíduos na faixa dos 20 anos que eram celíacos, mas não tinham iniciado uma dieta livre de glúten e já, em sua tenra idade, tinham desenvolvido câncer.

Ele passou a citar o trabalho de outros pesquisadores:
• Dr. Kaukinen da Finlândia, que encontrou anticorpos (reações do sistema imunológico) ao glúten num total de sete anos antes de atrofia das vilosidades.

• Dr. Ludvigsson, que descobriu aumento da mortalidade naqueles que mostram inflamação intestinal, apesar de nenhuma mudança no revestimento intestinal (uma taxa de mortalidade que excedeu as pessoas com dano intestinal).

Todos estes investigadores provaram o que tradicionalmente, gastroenterologistas atuais parecem não admitir e que é o fato da espera da destruição completa do revestimento no intestino delgado para um diagnóstico de doença celíaca ser perigoso e imprudente para o paciente.


Será que o seu médico pode ter se equivocado com uma
 Interpretação defeituosa do seus testes de sorologia e biopsia?



Já lhe disseram que você não tem que parar de comer glúten, embora o resultado do exame de sangue tenha dito o contrário, porque o resultado de sua biópsia era normal ou não estava em Marsh 3 (ou seja, total atrofia das vilosidades)? Se assim for, o que foi dito estava equivocado. E isso foi afirmado pelo próprio  fundador da Escala de Marsh!

Dr. Marsh sente que todas as fases encontradas em uma biópsia devem ser levadas a sério. E ele recomenda um outro tipo de biópsia, especialmente se você já fez alguma. Sua pesquisa é na área de biópsias retais que requerem pouco ou nenhum tempo de licença no seu trabalho ou pausa das atividades diárias.


30% da população deve fazer dieta sem glúten

Quando perguntado qual o percentual da população que é classidicado nas fases "de risco" de Marsh 1, 2 ou 3, o Dr. Marsh declarou um total de 30%! 

1% tem Marsh 3, atrofia completa das vilosidades, mas 29%, em sua opinião, tem  Marsh 1 ou 2 (o que significa atrofia parcial) e, portanto, onde é necessário  seguir uma dieta livre de glúten.

O médico também colocou forte ênfase em destacar que a doença celíaca e sensibilidade ao glúten não é domínio único do intestino delgado, mas na verdade também são grandes doenças intestinais. Isso foi ótimo ouvir de uma fonte tão estimada, pois muitas vezes eu sou reprovada quando falo que temos um excelente sucesso no tratamento da doença de Crohn ou colite por, em grande parte, remoção do glúten da dieta do paciente. Disseram que tal tratamento "não faz sentido quando o glúten não afeta o intestino grosso, mas apenas o intestino delgado". Não sendo uma "pesquisadora", tudo que eu pude fazer foi manter nossa forma de tratamento e confiar na experiência clínica dos médicos aqui no HealthNow, e vemos excelentes resultados. É bom ter o apoio do Dr. Michael Marsh nessa área. Ele deixou bem claro que o glúten afeta o sistema imunológico mesentérico e que é encontradao no intestino - delgado e grosso.


É bom para beber cerveja? Sim?

Será que dieta sem glúten significa não beber cerveja? Você está pensando "é claro"! Eu também, no entanto, o Dr. Marsh sempre permitiu que seus pacientes celíacos bebam cerveja Inglesa. Apesar de ser quente na temperatura, a cerveja Inglesa é diferente da cerveja norte-americana? Eu realmente não tenho idéia, mas o Dr. Marsh foi bastante inflexível sobre o fato de que ele nunca viu quaisquer reações negativas em seus pacientes celíacos que bebem cerveja. Por favor, não pergunte a minha opinião sobre isto ainda - Eu vou ter que fazer alguma ponderação!

O seu teste de sangue é confiável?

Por fim, o Dr. Marsh falou fortemente contra o exame de sangue antitransglutaminase - tTG - outro "padrão ouro" de testes celíacos. Enquanto o teste é 97 a 99% sensível e específico dentro de um paciente que tem uma biópsia positiva escala Marsh 3, quando se trata de pessoas com atrofia parcial, o teste rapidamente recebe uma nota negativa em apenas 27 a 33% de precisão.

É por isso que eu utilizo o Lab Cyrex - Eu não tenho nenhuma ligação pessoal com este laboratório, eu só recomendo isso porque é o teste mais abrangente disponível atualmente. Dá dez vezes as informações de testes tradicionais e olha para múltiplas reações potenciais do sistema imunológico contra o glúten. Nós todos queremos a precisão e o diagnóstico precoce -  até o momento este é o melhor teste que eu conheço e é, portanto, o que nós usamos aqui na nossa nutrição clínica e departamento médico.

A linha inferior é que a doença celíaca e sensibilidade ao glúten estão matando as pessoas - e não as pessoas que conhecem e diligentemente seguem sua dieta, mas as pessoas que não sabem ou as pessoas que suspeitam mas são erroneamente orientadas pelo seu médico de que elas estão "bem", quando elas não estão.

Nós precisamos compartilhar esta informação !

Vamos espalhar a palavra! Mostre este post para o seu médico. Vamos começar um diálogo e, talvez, fazer algumas incursões no diagnóstico adequado e precoce dessas condições importantes.

Artigo original:
http://www.healthnowmedical.com/blog/2013/12/04/celiac-disease-villous-atrophy-isnt-required-for-diagnosis/

Dra Vikki Petersen, DC, CCN Founder of HealthNOW Medical Center Co-author of “The Gluten Effect” Author of the eBook: “Gluten Intolerance – What you don’t know may be killing you!” - See more at: http://www.healthnowmedical.com/blog/2013/12/04/celiac-disease-villous-atrophy-isnt-required-for-diagnosis/#sthash.fTZULu5v.dpuf

http://dietasemgluten.blogspot.com.br/2013/12/doenca-celiaca-ter-atrofia-das.html

quarta-feira, 6 de julho de 2016

EQUÍVOCOS NO DIAGNÓSTICO DA DOENÇA CELÍACA

Dr Hugo Werneck - Gastroenterologista-SP
página Facebook: Consultório/Doença Celíaca



A seguir eu vou enumerar e explicar algumas situações que dificultam ou induzem ao diagnóstico de forma equivocada. São dez situações que vou apresentar uma por vez para não alongar demais o texto.

Situação 1- Pacientes que iniciaram a dieta sem glúten antes de fazer os exames.

É uma situação bastante comum no consultório do gastroenterologista. O paciente inicia a restrição ao glúten por conselho de amigos ou porque leu em algum artigo que o glúten é a grande causa dos seus problemas. Infelizmente, isso dificulta muito o diagnóstico, pois após alguns meses não existe mais anticorpos circulantes (anti-transglutaminase e/ou anti-endomísio). A partir daí os resultados dos exames se tornam incertos e duvidosos. Neste caso, deve-se voltar à dieta livre (com glúten) por três meses para depois fazer os exames. Muitas pessoas se recusam a enfrentar esse desafio com receio de apresentarem problemas. Consequentemente, nunca saberemos se tais pacientes são celíacos de verdade.


Situação 2- “Rotular” um paciente como celíaco baseando-se apenas na melhora dos sintomas após a retirada do glúten da dieta.

O diagnóstico preciso depende da positividade dos exames sorológicos específicos (anticorpos anti-transglutaminase e/ou anti-endomísio) e da presença de atrofia da mucosa duodenal. A melhora clínica e laboratorial é apenas um dos aspectos da resposta à dieta sem glúten.

Situação 3- Coletar número insuficiente de biópsias da mucosa duodenal para estudo histológico.

Os congressos de consenso sobre doença celíaca já estabeleceram o número mínimo de quatro fragmentos de mucosa duodenal para análise microscópica. A razão para a coleta múltipla é o padrão nem sempre homogêneo do acometimento duodenal, podendo haver tecido normal intercalado com tecido comprometido.

Situação 4- Diagnosticar doença celíaca com base em alterações histológicas mínimas.

O que caracteriza a doença celíaca é a atrofia vilositária; portanto, classe 3 da classificação de Marsh-Oberhüber. A presença de linfocitose intraepitelial e/ou hiperplasia de criptas é insuficiente para fechar o diagnóstico.

Situação 5- Diagnosticar doença celíaca com base em achados histológicos (atrofia vilositária) com sorologia negativa.

Nesta situação o teste genético (HLA-DQ2 e HLA-DQ8) é obrigatório. Resultado negativo exclui o diagnóstico. Se positivo, a confirmação diagnóstica é feita após a normalização da mucosa depois de 12/24 meses de dieta sem glúten. Algumas condições, além da doença celíaca, podem causar atrofia da mucosa duodenal como a giardíase ou o uso de certos medicamentos como o olmesartan e o valsartan (para hipertesnsão arterial).

Situação 6- Descartar doença celíaca em pacientes extremamente sintomáticos que têm sorologia negativa, sem realizar biópsia duodenal.

Embora os testes sorológicos (anti-endomísio e anti-transglutaminase) sejam muito sensíveis (até 85%) para diagnosticar a doença, cerca de 2% dos pacientes celíacos são soronegativos. A probabilidade é pequena, mas pode acontecer.

Situação 7- Fazer o diagnóstico de doença celíaca com base apenas na positividade do HLA-DQ2 ou HLA-DQ8.

Embora a presença do HLA-DQ2 ou HLA-DQ8 seja um pré-requisito para a manifestação da doença celíaca, devemos lembrar que 30% da população em geral é portadora desses marcadores genéticos. De todos esses portadores apenas 3% vão desenvolver a doença.

Situação 8- Não incluir a dosagem de IgA total na investigação da doença celíaca.

Cerca de 7% dos pacientes com deficiência de IgA (IgA < 5mg/dl) têm doença celíaca, o que significa que a pesquisa de anticorpos anti-endomísio e anti-transglutaminase IgA será negativa (falso negativo). Neste caso, o diagnóstico poderá ser descartado de forma equivocada. Nos pacientes com deficiência de IgA, o teste sorológico deve ser feito com IgG (outro tipo de imunoglobulina).

Situação 9- Basear o diagnóstico de doença celíaca em testes obsoletos.

Está provado que os anticorpos anti-gliadina (IgA e IgG) têm menores especificidade e sensibilidade do que os anticorpos anti-endomísio e anti-transglutaminase. Por conta disso, o anticorpo anti-gliadina não é mais usado para o diagnóstico ou acompanhamento da doença celíaca.

Situação 10- Pedir exames de controle pouco tempo após iniciar a dieta sem glúten.

Não é exatamente um equívoco no diagnóstico, mas no acompanhamento da doença celíaca. Vale tanto para o exame sorológico como para a biópsia duodenal. Nós temos que dar um prazo para que desapareçam os anticorpos da circulação e para que a mucosa intestinal se recupere. Considero que seis meses é um prazo razoável para pesquisar os anticorpos. No caso da endoscopia, eu não a peço antes de dois anos. Cada paciente tem o seu tempo de reação, portanto, não adianta ter muita ansiedade para ver o resultado dos novos exames.

Consultório:  
Rua Baronesa de Bela Vista, 411 cj 233. Em frente ao aeroporto de Congonhas. 
São Paulo 
Tel 011- 5078-7776 / 2275-2101
http://dietasemgluten.blogspot.com.br/