domingo, 23 de outubro de 2011

Dieta sem glúten para não celíacos divide especialistas


Muitas pessoas estão adotando a restrição em busca de vida mais saudável, mas não há comprovação científica.


CARLOS RHIENCK
trigo gluten
O glúten está nos alimentos que contêm trigo, cevada, centeio e aveia
Para quem tem doença celíaca, uma dieta sem glúten é obrigatória. Mas esse tipo de alimentação tem sido recomendada também a quem não é portador do mal, dividindo a opinião de especialistas. Segundo a nutricionista Cássia Milord, é cada vez mais comum que as pessoas adotem a prática para ter uma vida mais saudável. Ela não só recomenda a dieta como também garante que traz benefícios para saúde, como redução no volume da barriga e perda de peso. Mas o gastroenterologista Humberto Oliva Galizzi contraindica a dieta para quem não tem o problema. “Em virtude de, até o momento, carecermos de recomendações científicas robustas eu não recomendo a exclusão de glúten para quem não é portador da doença celíaca”, disse o médico. Além disso, a alimentação sem glúten é cara e muitas vezes díficil de ser encontrada. A nutricionista Fernanda Aparecida Moreira viveu esse problema ao descobrir há três anos que é celíaca, e não recomenda a restrição a quem não tem o problema. Fernanda Aparecida Moreira apresentava sintomas como diarreia, emagrecimento, queda de cabelo e enfraquecimento das unhas, mas a doença não foi facilmente diagnosticada. A nutricionista conta que passou por vários médicos que diziam que ela estava com depressão ou estresse, e chegou a tomar calmantes e antidepressivos. Após quatro meses de investigação, Fernanda recebeu a recomendação de procurar um gastroenterologista. Foi assim que descobriu a doença celíaca. "Na primeira semana após o diagnóstico já cortei o glúten da minha alimentação e não tive mais problemas". Mas Fernanda Aparecida Moreira chama a atenção para outro problema da dieta sem glúten, que são as restrições à alimentação. O glúten está nos alimentos que contêm trigo, cevada, centeio e aveia. Nesse caso, o trigo é o mais importante porque está presente em bolos, pães e biscoitos, que não devem ser ingeridos pelos celíacos. Por isto, sempre que viaja, Fernanda Aparecida Moreira liga para o hotel onde vai se hospedar solicitar alimentação especial. Doença celíaca A doença celíaca afeta o intestino delgado, órgão responsável pela absorção dos nutrientes da alimentação. O gastroenterologista Humberto Oliva Galizzi explica que no caso de portadores da doença, as células de defesa localizadas no intestino delgado percebem o glúten da alimentação como um invasor, e passam a atacá-lo. "O problema é que estas células de defesa começam a atacar também o próprio intestino delgado, deixando-o cada vez mais lesado, perdendo sua função primordial de absorver os nutrientes". Os principais sintomas da doença são diarreia, gases (com inchaço da barriga), cólicas abdominais, emagrecimento, palidez da pele e das mucosas por causa de anemia. Segundo o médico, algumas pessoas podem apresentar ainda sensação de cansaço exagerado, mas ressalta que os sintomas podem variar muito de pessoa para pessoa. "É importante alertar ainda que a doença pode se manifestar em qualquer época da vida, até mesmo na terceira idade". O diagnóstico é feito a partir de exames de sangue e endoscopia. O tratamento consiste basicamente na exclusão total do glúten da alimentação do portador da doença. E como a doença celíaca não tem cura, a dieta sem glúten é fundamental para que os pacientes tenham uma vida saudável. O médico alerta que muitas pessoas insistem em comer os alimentos que contenham o nutriente. Nesses casos, os danos para a saúde podem ser graves. "Além dos sintomas, há também uma má absorção de nutrientes que pode levar à desnutrição, anemia, osteoporose, retardo de crescimento e infertilidade. Se a pessoa continuar ingerindo glúten continuamente, existe um risco um pouco aumentado de desenvolvimento de câncer denominado linfoma intestinal de células T". http://www.hojeemdia.com.br/minas/dieta-sem-gluten-para-n-o-celiacos-divide-especialistas-1.356295#.TqN4Rfh3fgo.facebook Segundo Dra. Noadia Lobão,(nutricionista funcional) existe comprovação científica sim, só não existe um consenso entre médicos. A nutrição funcional no Brasil defende a teoria que afirma que o glúten é de difícil digestibilidade. Ela é uma versão da medicina funcional dos USA (The Institute for Functional Medicine), as disciplinas dadas são praticamente as mesmas e o material que estudado é praticamente o mesmo.

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