terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Lúpus e o glúten




Imagem retirada da Net
O Lúpus é definido como uma doença multi-sistémica em que o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo, causando danos em órgãos vitais. Tanto o Lúpus como a intolerância ao glúten são doenças camaleónicas; são ambas difíceis de diagnosticar porque podem “andar à boleia” de outras doenças auto-imunes, reproduzindo os seus sintomas.




Sintomas de Lúpus podem incluir:
Fadiga extrema
Articulações inchadas ou dolorosas
Febre inexplicável
Dores musculares
Anemia
Erupções cutâneas
Aftas
Problemas nos rins
Depressão

Em 2001 foi realizado um estudo que demonstrou que 23 por cento dos indivíduos com Lúpus testavam positivo para anticorpos anti-gliadina. Tal significa, à luz do que se sabe hoje, dez anos depois, que um em cada cinco pacientes com lúpus seria sensível ao glúten mas não doente celíaco pois as biopsias estavam normais. O estudo determinou então que aqueles 23 por cento eram falsos positivos, mas pode-se argumentar agora que um paciente em cada cinco que estava diagnosticado como tendo lúpus, poderia, na realidade, ser apenas sensível ao glúten.

Outros estudos apontam para esta ligação:

Junto, neste post, um testemunho de Margaret Romero, uma enfermeira especializada em Saúde da Mulher, que foi diagnosticada com Lúpus, mas que viu os seus sintomas desaparecerem com uma dieta sem glúten.

"Hoje eu sou saudável, energética e livre de dor, mas não foi sempre assim. Há alguns anos atrás, fiquei aflita com uma intensa dor muscular e inchaço nas articulações, que me levaram ao hospital. Só quando descobri que tinha uma grave intolerância ao glúten é que fui capaz de reverter todos os meus problemas.

Os meus sintomas começaram com uma dor nas articulações que variava de local. De seguida, as articulações começaram a doer mais. Os meus pés estavam tão inchados que os sapatos mal serviam. Os sintomas pioraram rapidamente: sangue na urina, palpitações e falta de ar. Fui para as Urgências. Depois de ser avaliada, precisava de ser vigiada, mas não havia camas disponíveis para internamento. Resultado: fui aerotransportada para outro hospital noutro estado. Fui, então, diagnosticada com nefrite por lúpus com envolvimento de múltiplos órgãos.

Três hospitais mais tarde e uma série de medicamentos depois, fui acolhida pela família pois o meu corpo exigia cuidados permanentes. Eu precisava de ajuda para sair da cama, lavar o cabelo e até para andar. Tinha uma névoa imensa no pensamento e a depressão, rapidamente, se instalou. O que se estava a passar com o meu corpo? Pensava em terminar com a minha vida nos meus piores dias, quando estava deitada na cama a chorar sozinha. Os dias e as semanas passavam, e eu pensava o que é que havia acontecido com este corpo meu, alimentado a alimentos orgânicos, sumos, água engarrafada e suplementos vitamínicos.  

Apercebi-me que as minhas articulações quase gritavam depois de quase todas as refeições. Pedi um teste genético para a doença celíaca à minha especialista. Ela disse: "Não desperdice o seu dinheiro!" Encontrei o teste on-line e encomendei-o. Eis que descubro que tinha dois genes da sensibilidade ao glúten, um de cada progenitor. Foi naquele instante que me tornei “sem glúten” e, no espaço de dias, a névoa no cérebro começou a clarear, e as articulações e dores musculares começaram a diminuir. Essa foi a minha salvação e o nascimento de uma fanática do “sem glúten”.

Tenho vindo a perceber esta viagem como um presente, e a minha missão é divulgar a ligação entre o glúten e o lúpus ou, possivelmente, outras doenças auto-imunes. Eu tenho grandes razões para reconhecer o poder dos alimentos nutritivos, que, literalmente, salvaram a minha vida. Agora, compartilho a minha história com grupos de apoio ao lúpus em Nova Iorque.

Hoje, como enfermeira e educadora celíaca, dedico a minha atenção ao diagnóstico de intolerância ao glúten e doença celíaca, bem como ao tratamento e cuidado de pacientes com doença celíaca das aflições que o glúten pode causar, especialmente deficiências vitamínicas múltiplas. Se tem dores articulares ou musculares, problemas de infertilidade, anemia, confusão mental, síndrome do intestino irritável, distúrbio da tiróide, osteoporose, desordem gastrointestinal ou auto-imune, faça o teste (preferencialmente o teste genético) para a doença celíaca. Este pode, em última análise, parar a progressão rápida desta epidemia auto-imune que tem vindo a crescer entre as mulheres.

Hoje sou uma cozinheira sem glúten, saudável e cheia de vida, a trabalhar no meu primeiro livro de receitas sem glúten. Eu apelo às mulheres, especialmente aquelas que sofreram uma doença crónica, para viverem para além do diagnóstico e para terem uma vida plena e fabulosa!"