Já ouviu falar em Ozonioterapia?


Ozonioterapia

Caros leitores

A reportagem após meu texto foi publicada no dia 26/02/11 no Jornal Folha de São Paulo.

Darei a minha opinião como médico e ao mesmo tempo paciente (por ja ter me tratado com Ozônio). A ozonioterapia consiste em uma técnica que há sim respaldo científico, utilizada em alguns países há décadas, com excelentes resultados para inúmeras patologias.

Na pós-graduação de ortomolecular (eu e o Dr. Ícaro Alcântara) tivemos aula de algumas terapias bio-oxidativas (e o ozônio é uma delas) e percebemos uma gama de patologias que o ozônio consegue ser eficaz. Dentre as terapias bioixidativas, além da câmara hiperbárica, vejo a Ozônio como uma das mais promissora pelo seu baixo custo de investimento e manutenção, facilidade de aplicação e resultados clínicos.

Histórico e atual situação

Descoberto no séc. XIX, ele tem sua aplicação com eficácia clínica comprovada desde a 1ª. Guerra Mundial. Desenvolveu-se na Alemanha e países europeus sendo que seu grande avanço de utilização foi na Rússia e em Cuba. Em Cuba, há 22 anos o sistema público de saúde aplica ozônio. Também é utilizada pelo Sistema público dos seguintes países: Itália, Espanha, Alemanha e Rússia.

Atualmente em Cuba existem 39 centros de ozonioterapia acoplados a TODOS os principais hospitais das principais cidades da ilha. Portanto, o acesso é difundido e todos os cidadãos cubanos tem acesso à ozonioterapia, sem exceção.

O mesmo acontece na Rússia. TODOS os hospitais públicos russos realizam ozonioterapia de rotina.
Na Itália o Dr. Velio Bocci da Universidade de Siena (um dos maiores pesquisadores da técnica) utiliza a técnica desde a década de 90 e com ótimos resultados.

O ozônio foi descoberto em 1840 por Schönbein pela observação de um odor característico quando o oxigênio era submetido a uma descarga elétrica, e pela freqüência sistemática que isto ocorria, sendo inicialmente chamado de oxigênio ozonizado.

Já em 1857, Werner von Siemens desenvolveu o primeiro gerador de ozônio, e através da utilização deste equipamento Kleinmann conduziu seus primeiros estudos sobre a ação deste composto em bactérias e germes, e depois em mucosas de animais e humanos.

100 anos após Hänsler desenvolveu seu primeiro equipamento médico com dosagens precisas da mistura de oxigênio e ozônio abrindo então um grande espectrum de aplicações terapêuticas.

Erwin Payr, importante cirurgião austríaco, professor em Leipzig, experimentou o tratamento com ozônio por seu dentista, E. A Fisch, e em 1935 apresentou uma publicação de 290 páginas intitulada "O tratamento com ozônio na cirurgia". E este foi o inicio da ozonioterapia que conhecemos hoje.

O tratamento médico com ozônio medicinal foi introduzido no Brasil em 1975, pelo médico paulista Dr. HEINZ KONRAD, que utiliza esse método com sucesso até os dias atuais, já tendo publicado diversos trabalhos científicos em nível mundial.

Como funciona (mecanismo de ação)




Nos glóbulos vermelhos (eritrócitos):
Aumento de 2 substâncias, o 2,3 Difosfoglicerato e 6-GPDH
Aumento da Oxigenação Tecidual com melhora da flexibilidade da membrana por aumento da carga elétrica negativa evitando o fenômeno de Rouleaux, tornando o eritrócito mais deformável menor agregação plaquetária.

No sistema imune:
Liberação de imunomoduladores, citocinas, interferon, interleucinas, fator de necrose tumoral
Aumento da atividade Fagocitária
Modulação da atividade Inflamatória
Efeito: Bactericida, Fungicida e Virostático

No sistema antioxidante endógeno:
Aumenta a atividade antioxidante

Por que utilizar ozônio?
  1. Porque é simples, de tratamento ambulatorial e oferece numerosas vantagens sem efeitos tóxicos nem adversos.
  2. Porque diminui a produção de radicais livres que são os principais responsáveis pelo envelhecimento.
  3. Porque melhora a circulação.
  4. Porque estimula o sistema imunológico.
  5. Porque modula as reações inflamatórias.
Apresenta benefícios:

1 - Nas doenças neurodegenerativas como Parkinson, Alzheimer, Demências senis e vasculares, esclerose lateral amiotrófica
2 - Oftalmopatias: Glaucoma de ângulo aberto, maculopatias
3 - Otorrinolaringologia: Hipoacusia bilateral, amigdalites, sinusites, rinite otite.
4 - Doenças isquêmicas: Isquemia de membros superiores e inferiores, isquemia cerebral, isquemia cardíaca, estase venosa
5 - Todas as patologias que necessitam de uma melhora no sistema imunológico, diminuição do estresse oxidativo (excesso de formação de radicais livres), modulação de reações inflamatórias, melhora da  reologia sanguínea
6 - Patologias ortopédicas: Lombalgias, hérnias de disco, artrose, tendinite rotuliana, bursite, artrite pós-traumatica.
7 - Patologias do trato genital feminino (utiliza-se a via vaginal para aplicação): Candidíase ou qualquer tipo de infecção genital, Endometriose, Dor Pélvica Crônica, HPV, Esterilidade de Origem Inflamatória,
Sintomas Menopáusicos, Coadjuvante no Cancer.
8 - Quando utilizada a via subcutânea pode ter ação na Lipodistrofia localizada, Celulite, Cicatrizes e Quelóides, Queda de Cabelo e Rugas.

Contra-indicações:
  1. Deficiência de G6PD
  2. Sindrome Wolf Parkinson White
  3. Hipertireoidismo descompensado
  4. Anemia Severa
  5. Miastenia Gravis (doença neuromuscular)
  6. Hemorragia ativa
  7. Fase inicial gravidez
  8. Uso de IECA (captopril, enalapril e etç)
  9. Trombocitopenia (baixa de plaquetas)
  10. Instabilidade Cardíaca Severa
Diante de tantos benefícios não tem como (particularmente) ser contra uma terapia utilizada há anos no mundo.

Segundo a presidente da ABOZ (Associação Brasileira de Ozonioterapia, Dra. Maria Emília Gadelha Serra, "em 1980 realizaram um grande estudo na Alemanha, a partir de quase 5 milhões e 600 mil tratamentos realizados, observou-se um índice de risco de 0,0007%. Há apenas 4 casos de óbito descritos na literatura ocasionados pela injeção inadvertida da mistura gasosa oxigênio-ozônio".

A mesma levanta a questão: "Conhecem alguma terapia que tenha matado tão pouco em 100 anos de descoberta? " "Alguns antinflamatórios que existiam no mercado, inclusive que haviam sido autorizados pelo FDA e ANVISA, mataram milhares de pessoas e finalmente foram retirados do mercado. É claro que após terem vendido muitos milhões de dólares, recuperado o lucro da pesquisa e do desenvovimento do produto e dado muuito lucro".

Já utilizei em mim e tive resultados excepcionais, principalmente amigdalite e cervicalgia. Portanto, aprovo. Porém, como não desejo entrar em conflito com o Conselho Regional de Medicina (CRM-GO ou CRM-DF) prefiro não utilizar ou indicar para os meus pacientes (exceto o hidrozônio, que é legalizado pela ANVISA).  O motivo vocês entenderão lendo a reportagem publicada na Folha.












Ozônio na berlinda
Mesmo sem regulamentação no país, uso terapêutico do gás é feito por médicos; falta respaldo científico, para Anvisa e Conselho Federal de Medicina
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Uma técnica que usa gás ozônio contra infecções, inflamações e dor está criando polêmica no país. Ao menos 200 médicos estão convencidos da sua eficácia e a aplicam em várias doenças.
Mas o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) argumentam que o método, chamado ozonioterapia, não tem amparo científico e, portanto, não pode ser regulamentado.

Nesta semana, um juiz de São Paulo concedeu liminar autorizando um paciente com câncer de um hospital da capital a receber ozonioterapia no peritônio (membrana que reveste as paredes do abdome), como parte do tratamento contra dor.

Há vários estudos na literatura mundial mostrando a eficácia da ozonioterapia- embora a maioria não seja controlada e tenha baixo grau de evidência científica. A terapia é reconhecida pelos sistemas de saúde de países como Itália, Espanha, Alemanha, Rússia e Cuba.

Os defensores dizem que o método não prospera no país porque contraria interesses da indústria. "Ozônio não é patenteado. Você não engarrafa e vende na farmácia", diz a médica Emília Serra, diretora da Aboz (Associação Brasileira de Ozonioterapia), que tenta há cinco anos regulamentar a prática no país.

O ozônio medicinal pode ser aplicado na corrente sanguínea -na veia ou no reto- ou diretamente na pele (para tratar feridas). Ele estimula a circulação e a oxigenação de tecidos, com funções bactericida, anti-inflamatória, imunológica e analgésica, segundo Emília.

No Brasil, várias instituições estão pesquisando a técnica. Em 2010, a Universidade de São Paulo, por exemplo, testou a ozonioterapia em bactérias hospitalares multirresistentes a antibióticos. Com apenas cinco minutos de exposição ao ozônio, dez delas foram eliminadas, inclusive a superbactéria KPC, que atingiu 13 Estados e matou ao menos 20 pessoas.

Segundo o médico imunologista Glacus de Sousa Brito, pesquisador responsável pelo ensaio clínico da USP, outras três linhas de projetos de pesquisa com ozonioterapia estão em andamento.

Uma delas propõe o tratamento de feridas infectadas (pé diabético, por exemplo). A outra vai usar o ozônio para desinfetar ambientes hospitalares. A terceira tratará, com o gás, pessoas com infecção hospitalar.

O infectologista Ésper Kallas, professor da USP, diz que, embora os estudos pareçam promissores, é preciso repeti-los em outros centros, para verificar se os resultados permanecem favoráveis. "É necessário provar a reprodutibilidade para que a gente possa empregar no dia a dia", afirma ele.



MINISTÉRIO

No fim do ano passado, a ozonioterapia entrou na pauta do Ministério da Saúde, durante uma audiência pública que recolheu sugestões sobre a incorporação de novas tecnologias no SUS, para o tratamento de feridas.

A Aboz apresentou vários estudos internacionais defendendo que o uso da ozonioterapia poderia reduzir em até 25% os custos do SUS com o tratamento de feridas crônicas e em 80% a taxa de amputação de membros de pacientes com gangrena provocada pelo diabetes.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2602201101.htm
http://ligadasaude.blogspot.com