quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Discriminação 2- Autismo

 Estou muito indignada ! Aqui vai meu repúdio por esta escola!
Vejam!

ESSA REPORTAGEM SAIU HOJE (25 FEV) SÁBADO, NO GAZETAONLINE

Escola marca nome de aluno com deficiência com tarja preta


Crianças sofrem de autismo no bairro Jabaeté
A Unidade de Educação Infantil (UMEI) Normília Cunha dos Santos, em Jabaeté, região de Terra Vermelha, Vila Velha, causou desconforto no primeiro dia de aula ao fixar na porta de cada sala uma lista com os nomes dos alunos daquela turma identificando com uma tarja preta os portadores de algum tipo de deficiência. A medida adotada pela escola acabou gerando constrangimento para os familiares das crianças marcadas.
A mãe de um dos estudantes com distúrbio de atenção ficou revoltada. A costureira Eliene dos Santos, 42 anos, alega que a escola estava discriminando os alunos. Ela explica que o filho autista, de quatro anos de idade, estava animado para estudar. Foi então que ela procurou a neurologista do garoto, que atende voluntariamente no bairro, para receber as orientações de como proceder com o menino na escola. Segundo dona Eliene, a instituição teria recebido um laudo, assinado pela médica, informando a situação do garoto.
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No primeiro dia de aula, conta a mãe do menino, ela viu o nome do filho com uma tarja preta. Além dele outras crianças estavam marcadas nas demais salas. Mesmo se sentindo desconfortável com a situação, ela entrou com o filho na sala. No entanto, dona Eliene salienta que as professoras não deram assistência ao filho, mesmo sabendo que ele tem problema de adaptação. Para ela as educadoras não estão preparadas para lidar com crianças especiais.

"No primeiro dia de aula ele não queria ficar na escola. Eu fiquei com ele na sala, porém nenhuma professora chegou perto para me ajudar. Levei ele para casa. No segundo dia, tentaram ficar com ele, mas meu filho passou mal. Ele teve uma crise e quase morreu. Voltei à escola e abracei o meu filho e ele se acalmou. Agora ele não quer voltar mais para a escola".

Dona Eliene fotografou todas as listas que apresentavam marcação das crianças especiais e procurou a secretaria de Educação do município por não aceitar o método usado pela escola. Além do menino de 4 anos, o irmão de dois anos de idade, matriculado na mesma unidade também não está frequentado as aulas. A criança também apresenta sintomas da mesma doença. A costureira, com receio de que os filhos não tivessem a atenção adequada, acabou tirando os meninos da escola.

"Eu peço ao prefeito que tome alguma providência. As pessoas precisam ser capacitadas para lidar com essas crianças. Nossos filhos são especiais, mas eles são os nossos filhos. Além de todos os problemas, eu quero o meu filho. Não aceito que ele seja discriminado", desabafa.

A coordenadora da área da deficiência intelectual do setor de Diversidade e Inclusão, Adriana Venturim Lana, explica que existem mais de 300 profissionais capacitados para lidar com crianças especiais. Quanto a lista diferenciando os alunos, ela afirma que a informação está sendo apurada. "Assim que tivemos conhecimento do caso, nós seguimos até a escola. Achamos muito estranho, já que não é procedimento correto da secretaria. O nosso atendimento é referência. A diretora nem estava sabendo desse fato", justifica.

A coordenadora da área da deficiência intelectual frisou que a professora, no primeiro dia de aula,  teria se aproximado da criança para que ela tivesse uma boa adaptação do ambiente, inclusive teria informado a mãe do menino que iria chegar mais cedo á escola, para dar atenção diferenciada ao garoto. A mãe teria aceitado, mas a criança não retorno às aulas.

Sobre a doença

O autismo é uma alteração cerebral que afeta a capacidade da pessoa em se comunicar, em estabelecer relacionamentos e em responder apropriadamente ao ambiente. Algumas crianças, apesar de autistas, são inteligentes e falam corretamente, outras apresentam também retardo mental, mutismo ou atraso no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a comportamentos restritos e a rígidos padrões de comportamento.

A neurologista infantil Luziene Oliveira, salienta que existe certa discriminação com crianças autistas. "Primeiro porque elas são diferentes. Elas não interagem com as outras crianças como deveriam. Não fazem amizade, não olham nos olhos. Se assustam com barulhos. Mesmo elas sendo inteligentes, acabam tendo uma forma única de se expressar, e as pessoas pensam que elas não aprendem nada, só porque elas agem de forma diferente", diz.

A neurologista ensina que os pais para lidar com o autismo precisam conhecer o problema, além de ter acompanhamento psicológico.


Até quando nós vamos continuar sofrendo de discriminação?