Para quem não conseguiu ver, segue entrevista do Programa Bem Estar!




02/06/2011 18h21 - Atualizado em 02/06/2011 18h39


PESSOAS COM DOENÇA CELÍACA TÊM  PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA!




Gastroenterologista Vera Lúcia Sdepanian tirou dúvidas sobre glúten.
Sintomas podem passar despercebidos ou não existir em alguns casos
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Do G1, em São Paulo
Para aprofundar os temas glúten e doença celíaca, a gastroenterologista pediátrica Vera Lúcia Sdepanian, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conversou com o G1 na sequência do Bem Estar desta quinta-feira (2).
Segundo a médica, a pessoa nasce com predisposição genética para ter o problema e, depois de meses ou anos de consumo de glúten, pode desenvolvê-lo. Em geral, o distúrbio aparece entre o primeiro e o terceiro ano, mas pode ocorrer também em adolescentes, adultos e idosos. Ainda não se sabe por que a doença se desenvolve em momentos diferentes da vida.
Às vezes, os sintomas passam despercebidos e não são identificados precocemente. A diarreia crônica costuma ser o principal sinal, acompanhada de emagrecimento e distensão do abdômen. Entre outros sinais, estão anemia que não responde ao tratamento com ferro, baixa estatura sem causa, atraso na puberdade, osteoporose, inchaços súbitos após infecção ou estresse, aftas frequentes, intestino preso e prejuízos do esmalte dentário. Eles podem aparecer isoladamente ou em conjunto, e a doença também pode ser assintomática.
A especialista explicou que o glúten geralmente é introduzido na dieta humana por volta dos 6 ou 7 meses de vida, e familiares de primeiro grau têm mais chance de manifestar a doença celíaca. De cada cem parentes próximos, seis têm chance. E, de acordo com uma pesquisa feita em São Paulo pela Unifesp, para cada 214 doadores de sangue saudáveis, há 1 celíaco.
Pessoas diabéticas, com problemas de tireoide, síndrome de Down ou Turner também têm mais probabilidade de apresentar doença celíaca. Os indivíduos que atingem um grau excessivo de fraqueza e emagrecimento correm mais risco. E, na infância, uma síndrome chamada de crise celíaca pode provocar uma diarreia tão forte a ponto de matar.
Vera Lúcia esclareceu, ainda, que os celíacos podem comer os mesmos alimentos que alguém sem a doença, desde que na composição não haja glúten. Esses itens podem ser preparados com substitutos como milho, mandioca, tapioca, polvilho, batata e arroz.
Segundo a gastroenterologista, em lojas e supermercados, os produtos costumam ser mais caros porque não têm liga nas massas e devem ser preparados de forma especial. O Brasil ainda está aquém do mercado europeu, onde as empresas competem entre si e os valores são menores.
O diagnóstico da doença celíaca deve ser feito antes da retirada do glúten da dieta. Recentemente, o Sistema Único de Saúde (SUS) destinou uma verba de cerca de R$ 800 mil para que esse teste seja feito em todo o Brasil. Porém, só cerca de 10% desse valor foi gasto até agora. Após o resultado positivo do exame de sangue, deve ser feita uma biópsia do intestino delgado.

Pediatra Ana Escobar também falou das causas de soluço e doença celíaca.


Todo mundo soluça, seja sempre ou raramente. Alguns acreditam que “engoliram” ar, mas na verdade o problema ocorre quando o diafragma, um músculo abdominal, se contrai involuntariamente.
O Bem Estar desta quinta-feira (2) falou sobre mitos e verdades do soluço, principalmente na hora de acabar com ele. Do estúdio, participaram a pediatra Ana Escobar e a gastroenterologista pediátrica Vera Lúcia Sdepanian, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O soluço acontece quando o nervo frênico, motor do diafragma, envia um sinal de choque ao músculo, que puxa o pulmão para baixo e força a entrada de ar pela boca. Uma rajada a 120 quilômetros por hora “atropela” a glote e faz as cordas vocais vibrarem. É aí que sai o som. Esse ar chega até os pulmões e enche os alvéolos com pressão, o que às vezes causa dor.
Segundo a dra. Vera Lúcia, soluçar mais de dois dias deve ser um sinal de alerta – o normal é que esse seja um evento pontual e passageiro. E, de acordo com a dra. Ana, essa reação não é uma defesa do organismo, como a tosse ou o espirro, mas um espasmo que enche o pulmão de ar.
O álcool também pode provocar soluço, porque irrita o estômago e o esôfago, e tudo o que irrita ou distende o tubo digestivo desencadeia esse sintoma. O frio também pode contrair a musculatura do diafragma, principalmente em bebês e crianças. Amamentá-los e aquecê-los pode resolver a situação.
O programa falou, ainda, sobre glúten, uma proteína presente em muitos alimentos à base de grãos, e doença celíaca, que é a intolerância permanente a essa proteína. Só no Brasil, são cerca de 2 milhões de portadores.Glúten (Foto: Arte/G1)
Nesses pacientes, a substância agride e danifica as vilosidades do intestino delgado, prejudicando a absorção dos alimentos. O risco genético é maior quando um familiar de primeiro grau tem a doença. E o diagnóstico pode ser feito por exame de sangue e biópsia do intestino.
O repórter João Gabriel Bressan foi até Salesópolis, a 800 quilômetros da capital paulista, para ver como a família Vendramin mudou de dieta depois que descobriu que o filho Caio, de 11 anos, não pode mais comer pizza, pão, bolacha e outros produtos com glúten. O irmão mais novo, Iago, "dá uma força" e come escondido para Caio não passar vontade.
Em um laboratório de pesquisas da Universidade de Mogi das Cruzes, os cientistas estudam formas de fazer alimentos saborosos sem glúten. No mercado, esses produtos costumam ser mais caros, mas encontrados facilmente em supermercados e lojas especializadas. Na cesta básica, o preço sobe de R$ 230 (normal) para R$ 316 (sem glúten), uma diferença de 37%.
Para saber mais sobre a doença celíaca, visite o site da Federação Nacional das Associações dos Celíacos do Brasil (Fenacelbra) e o da Associação dos Celíacos do Brasil (Acelbra).
Retirado do site do Bem Estar.