quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

História da Alergia

Posted: 02 Jan 2013 06:29 AM PST




Alergia é a alteração da capacidade de um organismo reagir a determinadas substâncias, normalmente inofensivas para outras pessoas. 




A história da alergia 
Alergia não é uma doença nova. Pelo contrário, trata-se de doença antiga, que sempre afligiu a humanidade, porém não era identificada pelos poucos conhecimentos médicos das gerações passadas. Hipócrates, o pai da medicina, 400 anos antes de Cristo, já descrevia a asma como uma “dificuldade respiratória”.  Lucrécio, no primeiro século depois de Cristo, escreveu: “O que é alimento para alguns pode ser para outros, veneno violento”. 

Mas, a palavra “alergia” só passou a ser usada no início do século passado, criada por um pesquisador austríaco chamado Clemens F. Von Pirquet. E desde então, “Alergia” passou a descrever as reações provocadas por substâncias habitualmente inofensivas para a maioria das pessoas. 

Como aparece a alergia  
A alergia tem origem genética (hereditária). Mas, para que a doença apareça, influirão diversos fatores - ambientais, pessoais, familiares, etc.  As doenças alérgicas podem surgir em qualquer parte do organismo e nem sempre serão reconhecidas facilmente, pois seus
sintomas podem ser semelhantes à outras doenças, o que pode causar confusão. Por exemplo, um resfriado pode ter sintomas praticamente iguais à rinite alérgica. 

O que caracteriza uma pessoa alérgica é sua capacidade de se sensibilizar, isto é, tornar-se alérgica a uma determinada substância. É interessante que uma pessoa pode comer certo alimento ou tomar um medicamento durante anos, até que um dia torna-se alérgico a estas substâncias. Durante este tempo ele foi se sensibilizando, isto é, criando anticorpos específicos contra o alimento ou o medicamento, e numa determinada ocasião, passou a manifestar as reações alérgicas. 

Como ocorrem as reações alérgicas 
Para compreender as reações alérgicas deve-se ter em mente o conceito de anticorpos. Anticorpos são substâncias do organismo preparadas para defesa contra agentes agressores denominados antígenos. 

A maioria das reações alérgicas ocorre devida a uma reação entre os alérgenos ou antígenos (substâncias agressoras) aos anticorpos ou imunoglobulinas (substâncias do organismo preparadas para defesa contra agentes agressores). Esta reação antígeno-anticorpo ocorre em qualquer pessoa, como um mecanismo de defesa normal. 

Mas, o sistema de defesa do alérgico produz grande quantidade de anticorpos, o que determina uma reação exagerada (uma defesa exagerada). Nas pessoas com alergias, os anticorpos encontram-se em certos órgãos ou locais do organismo onde ocorrerão de preferência as reações alérgicas. Assim, por exemplo, se ocorrer no nariz, as manifestações alérgicas serão da rinite - espirros, coriza, coceira, congestão nasal etc.Se acontecer na pele, as manifestações serão coceiras, vermelhidões e outras; se for nos pulmões, pode resultar numa crise de asma. 

Na realidade, existem vários mecanismos responsáveis pelas reações alérgicas.  A reação mais característica envolve o alérgeno e o anticorpo (chamado imunoglobulina E - IgE) pré-formado por penetração anterior de um alérgeno semelhante. Ao ocorrer a união do anticorpo IgE com o antígeno, certas células (chamadas mastócitos) liberam substâncias altamente ativas, entre elas a histamina, que são as responsáveis pelos sintomas alérgicos. 
Nem todas as reações são iguais. Nos eczemas, por exemplo, ocorre um mecanismo diferente, com a participação de outros tipos de células chamadas linfócitos. 

O papel da hereditariedade

"Tem alergia quem pode e não quem quer". Existe um fator hereditário na alergia. Os filhos de pais alérgicos têm mais chance de serem alérgicos do que os filhos de pais não alérgicos. Vale ressaltar que existe mais probabilidade, o que não significa que pais alérgicos tenham filhos obrigatoriamente alérgicos. Por outro lado, pais que não têm alergia podem ter filhos alérgicos.        Nem sempre se herda o mesmo tipo de alergia dos pais. Por exemplo, uma mãe pode ter asma e o filho rinite. Um pai que tem urticária pode ter um filho com asma. Ou seja, o que se herda é a tendência a tornar-se alérgico. 
Trabalhos estatísticos mundiais demonstram que quando ambos os pais são alérgicos, cerca de 50% dos filhos sofrem de alergia; quando apenas um é alérgico, a porcentagem cai para aproximadamente 30%; e quando nem o pai nem a mãe têm alergia, ainda há possibilidade de 10 a 20% das crianças serem alérgicas.  

A prevalência das doenças alérgicas 
Alergias comprometem cerca de 30 a 40% da população, afetando milhões de pessoas no mundo inteiro. Não se sabe o percentual exato. É possível mensurar apenas os quadros mais importantes, que levam à pessoa a procurar assistência médica. Mas, quando a doença se manifesta de forma mais discreta, pode passar despercebida, impossibilitando uma análise exata do problema.

É comprovado o aumento paulatino da frequência das doenças alérgicas nas últimas décadas. A alergia é mais comum nos centros industrializados e nas grandes cidades, comparado ao campo e às cidades menores. A vida cotidiana humana mudou - em alguns pontos para melhor, gerando maior conforto doméstico (TV, DVD, computador, jogos eletrônicos etc.). Em outros pontos, houve uma piora, como o aumento da violência urbana, do estresse, hábitos alimentares inadequados, etc. De qualquer modo, tudo conspira para que uma pessoa (em especial crianças e idosos) passe a permanecer grande parte do dia em ambientes fechados, em contato com alérgenos importantes, como ácaros da poeira e mofos.