Benefícios econômicos do diagnóstico da doença celíaca


CustosUm estudo publicado recentemente no Journal of Medicine Insurance por pesquisadores do Centro de Doença Celíaca da Columbia University Medical Center demonstrou os benefícios econômicos resultantes do diagnóstico da doença celíaca. Segundo o Dr. Peter Green, um dos autores do estudo, "Agora existem evidências de que o aumento da conscientização e diagnóstico da doença celíaca beneficiaria não somente pacientes, mas resultaria em benefícios econômicos diretos para os sistemas de saúde."
A doença celíaca ocorre em indivíduos geneticamente suscetíveis devido ao desenvolvimento de uma resposta auto-imune ao glúten, uma proteína presente no trigo, centeio e cevada. Estima-se que quase 1% da população (tanto nos Estados Unidos, como em outros países europeus e sul-americanos onde a doença foi estudada) seja portadora da doença celíaca, embora a maioria destas pessoas permaneçam sem diagnóstico. É comum também que aqueles indivíduos já diagnosticados tenham esperado anos até que o diagnóstico tenha sido feito. A doença celíaca é associada ao desenvolvimento de osteoporose, anemia e outras deficiências nutricionais, uma série de condições auto-imunes associadas, bem como à doenças malignas.
Tivemos acesso ao estudo do Dr. Green e seus colaboradores, e o resumimos aqui. Embora o estudo tenha utilizado uma base de dados de pacientes norte-americanos não haveria, à princípio, razões para supor que os resultados não possam ser generalizados, ou que seriam qualitativamente distintos em outros países e no Brasil, como veremos a seguir.
O estudo se baseou em uma base de dados do sistema de saúde norte-americano envolvendo mais de 10 milhões de registros, os quais incluiam distintas regiões geográficas, idades, origens étnicas e níveis sócio-econômicos. Através da análise destes registros, o estudo permite inferir se a ausência ou demora no diagnóstico da doença celíaca traria algum prejuízo econômico para os sistemas públicos de saúde, ou mesmo convênios e planos particulares. Para tal, foram comparados, ao longo de 4 anos, os custos (exames, internações, consultas, serviços de emergência) de pacientes celíacos diagnosticados com os custos médicos de pacientes portadores de um, dois ou mais sintomas tipicamente associados à doença celíaca, porém não diagnosticados como tal (e portanto, sem a adoção da dieta isenta de glúten).
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Os resultados mostraram (ver gráfico acima) que mesmo somente 1 ano após o diagnóstico os custos médicos totais dos pacientes não diagnosticados foi de 20% a quase 40% maior que os custos médicos dos pacientes diagnosticados como celíacos, o que se explica em função do maior número de consultas médicas, testes laboratoriais e exames de imagem feitos pelos pacientes não diagnosticados. Como seria esperado, pode-se notar que quanto maior o número de sintomas dos pacientes não diagnosticados, maiores os custos médicos adicionais em relação aos celíacos "já em tratamento" (seguindo a dieta). O gráfico abaixo mostra que 3 anos após o diagnosticado, estas tendências permaneceram as mesmas, ou seja: o fato de ter recebido o diagnóstico da doença celíaca e iniciado a dieta sem glúten levou à redução das visitas médicas e exames pelos portadores da doença, quando comparados aos pacientes ainda sintomáticos (não diagnosticados).
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Os pesquisadores demonstraram que o valor total gasto anualmente pelo celíaco também diminuiu após o diagnóstico, como mostra o gráfico abaixo (note que os gastos 3 anos após o diagnóstico - barras verdes - são mais baixos do que os gastos no ano anterior ao diagnóstico - barra azul).
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Segundo os autores, estes resultados mostram "é preciso haver uma maior conscientização dos profissionais de saúde a respeito das várias formas de manisfestação e sintomas da doença celíaca, bem como ampla utilização dos exames de sangue que detectam a doença". Estes dados também mostram que a conscientização dos profissionais e a inclusão dos testes diagnósticos da doença pelos convênios médicos, planos de saúde e sistemas públicos não apenas beneficiariam pacientes, mas também seriam financeiramente vantajosos para estas instituições.
Citar fonte como: Revista Vida sem Glúten e sem Alergias, 2009 (www.vidasemglutenealergias.com)