quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os Rins e o Glúten


Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Os rins e o glúten

Imagem retirada da Net
Da mesma maneira que orgãos como o fígado ou a pele podem ser afectados pela ingestão de glúten, também os rins o podem ser. Encontrei um testemunho de uma americana que sofria de uma doença renal que entrou em remissão, quando esta iniciou uma dieta sem glúten. Deixo-o, então, aqui traduzido. Para quem quiser obter mais informação, pode consultar estes dois estudos suecos, aqui e aqui.

“No verão de 2008, quando o termo "glúten" entrou pela primeira vez na minha consciência, eu desfrutava de uma vida de excelente saúde, excepto o resfriado ocasional ou gripe. No Verão de 2009 eu ficava arrasada ao ser diagnosticada com uma doença renal crónica e progressiva chamada Glomeruloesclerose Segmentar Focal (ou simplesmente, GSF) com síndrome nefrótica. Como a doença celíaca, a GSF é uma doença inflamatória, que inflama e causa cicatrizes nos glomérulos, ou sistema de filtragem dos rins. Foi também naquele verão que descobri que eliminar o glúten da minha dieta colocava a minha doença em remissão total espontânea, uma ocorrência extremamente rara. Eu não tomo nenhuma medicação, e tenho uma saúde como nunca tive. Por causa da sorte que foi ter a minha vida de volta em pouco tempo, quero compartilhar a minha experiência com os outros para que estes possam estar cientes de que a exclusão do glúten não beneficia só as pessoas com doença celíaca.
Como é que tive a sorte de ir de saudável para gravemente doente e voltei a ter saúde em tão curto espaço de tempo?
No verão de 2008, como é cada vez mais comum, a minha companheira de dormitório da faculdade entre 1981-82 e 1983-84 e companheira de quarto na Universidade de Indiana encontrou-me no Facebook, e começámos a conversar. Enquanto nós nos encontramos no coração dos EUA há quase 30 anos, estávamos a viver em costas opostas, 24 anos depois. Enquanto eu gozava de uma excelente saúde, a minha amiga revelou que, depois de uma vida de sofrimento, ela havia sido diagnosticada com a doença celíaca dois anos antes, e estava a fazer uma dieta sem glúten. Ao lembrar as nossas pizzas e cervejas no tempo da faculdade e as suas dores de barriga subsequentes, tudo fez sentido. Eu nunca tinha ouvido falar de "glúten" ou "doença celíaca", mas informei-me depois de saber do seu diagnóstico. Nós aproximámo-nos, e fizemos várias férias juntas desde então. Enquanto estávamos juntas, por apoio, eu fazia a dieta com ela. Também desisti da cerveja durante todo o Verão, porque era uma coisa da qual ela sentia muita falta. Mal sabia eu que a exclusão de glúten que fazia com ela era apenas um ensaio geral para o que viria a ser o meu estilo de vida, menos de um ano depois, por necessidade, para salvar minha própria vida.
A minha saúde caiu a pique e desapareceu no Verão de 2009. Eu nem me apercebi. Tinha ganho peso de forma repentina e inexplicável, aparentemente causada por edema, hipertensão e colesterol alto. Todos os sinais apontavam para um problema renal, logo iniciei de imediato uma dieta para os rins que passou a ser quase sem glúten. A biópsia renal confirmou o diagnóstico de GSF com síndrome nefrótica. Enquanto o meu nefrologista me dizia: "não há causa e, portanto, é idiopática", respondi, "Há uma causa, o doutor simplesmente não sabe qual." Ele admitiu que eu tinha razão.
Eu atirei-me à Internet, pesquisando todas as coisas possíveis que poderia encontrar sobre a doença e as suas causas prováveis. A minha irmã mais velha e a minha amiga fizeram o mesmo. Fui a consultas subsequentes com o meu nefrologista, com 30 a 45 minutos de perguntas e teorias para discutir com ele. Um nefrologista de mente aberta e paciente, ele respondeu a todas as minhas perguntas. Foi capaz de descartar várias teorias e, eventualmente, disse que "a causa da doença não importa, porque o tratamento é o mesmo." Prednisona. Eu disse-lhe que a causa da doença importava para mim, porque, se eu pudesse descobrir isso, poderia tratar a causa e não precisaria de tomar prednisona. A prednisona, como ele disse, não é uma droga benigna e só é eficaz numa minoria de pessoas com GSF. A minha pesquisa mostrou-me essas mesmas estatísticas desanimadoras. A maioria das pessoas com a doença progredia eventualmente para doença renal terminal, requerendo diálise e transplante. Com teimosia, recusei aceitar que esse era o meu futuro e recusava-me a aceitar que não conseguia descobrir a causa e a solução.
Foi durante essa época do diagnóstico, fazendo pesquisas, verificando teorias, fazendo exames de seguimento, que a minha amiga encontrou histórias de outras pessoas com doença renal, que tinham entrado, e permanecido, em remissão com uma simples dieta sem glúten. Ela enviou-me um link para essas histórias, e decidi, instantaneamente, fazer uma dieta sem glúten. Porque ela já me tinha clarificado sobre o que isso significava, e por causa do meu tempo gasto a praticar a dieta com ela, foi uma decisão fácil e uma transição fácil.
Dentro de cinco semanas, os meus testes mostraram que estava em remissão total e espontânea. É importante notar que eu já comia maioritariamente sem glúten nos três meses anteriores a este compromisso total, e já mostrava uma grande melhoria. É importante ter uma visão de longo prazo ao experimentar esta dieta. O meu nefrologista chamou a minha recuperação de "notável" e "fabulosa". Confirmámos novamente, um mês depois, e estava ainda mais perto da saúde total. Seis meses mais tarde, numa consulta de acompanhamento, os meus números mostraram-me mais saudável ​​do que muitas pessoas saudáveis, sem doença renal. O meu nefrologista inveja a minha pressão arterial e colesterol. Hoje, eu ainda estou em remissão completa, sem nenhuma medicação, e ainda sem glúten.
Enquanto uma dieta sem glúten pode ajudar a praticamente todos os portadores da doença celíaca, pode ajudar apenas algumas pessoas com doença renal crónica e outras condições médicas. Não é amplamente conhecida, mesmo por nefrologistas, e não é amplamente estudada. Através do passa-palavra, fui incentivando outras pessoas com doença renal a tentar esta dieta muito segura, e conheço duas crianças e dois adultos com doença renal que, como resultado, entraram em remissão. Outros não viram qualquer melhoria ou viram melhorias inesperadas, tais como perda de peso, dor artrítica que desapareceu, e insónias curadas.
Eu envio as suas actualizações ao meu nefrologista, e ele disse que está a sugerir aos outros para tentarem uma dieta sem glúten.
Encorajo as pessoas com doença renal para tentarem uma dieta 100% livre de glúten durante alguns meses, ou mesmo um par de anos, caso faça recuperar a saúde para níveis normais. Depois de desenvolver novos hábitos e descobrir onde comprar os alimentos que mais gosta, é fácil de fazer. A dieta é muito saudável, pois não precisamos de glúten para viver. A dieta não vai doer, e pode ajudar a salvar vidas. Salvou a minha.
Denise Stevens”
http://vidassemgluten.blogspot.com/2012/01/os-rins-e-o-gluten.html