Glúten em Cola utilizada para fechar envelopes, selo de cartas, medicamentos, shampoo a base de trigo e aveia, hidratantes, sabonetes, vitaminas, luvas de látex descartáveis e outros.

Doença Celíaca




O que é a doença celiaca?

Doença celíaca é uma doença digestiva que danifica o intestino delgado, interferindo na absorção de nutrientes provenientes de alimentos ingeridos. As pessoas que possuem doença celíaca não podem tolerar a proteína chamada de glúten. Encontradas em trigo, cevada, malte, aveia e centeio. Glúten (união de duas proteínas insolúveis que são: Gliadina e Glutelina), é encontrado em diferentes tipos de comidas e também podem ser encontradas em produtos que usamos no dia a dia como exemplo: Cola utilizada para fechar envelopes, selo de cartas, medicamentos, shampoo a base de trigo e aveia, hidratantes, sabonetes, vitaminas, luvas de látex descartáveis e outros.
Quando estas pessoas com a doença célica se alimentam destes produtos que contém a glúten, o sistema auto-imune (sistema de defesa do organismo) responde a esta ingestão agredindo e ou destruindo o sistema digestivo delgado (pequeno intestino). Podemos chamar esta doença, então, de auto-imune. Outros exemplos de doenças auto-imunes são a diabetes, intolerância a lactose, intolerância a frutose e outras doenças associadas que são: hipotireoidismo, anemia, dermatite herpetiforme.
O que o intestino delgado faz?

O intestino delgado é responsável pela absorção de nutrientes vitais para o corpo se manter, uma vez que este intestino é parcialmente destruído ou agredido devido à reação auto-imune do próprio corpo, estas pessoas passam então a não absorver corretamente nutrientes e vitaminas vitais e começam então a desenvolver outras doenças e afetar outros organismos vitais. Para termos uma noção, uma pessoa normal absorve até 95% dos nutrientes de uma refeição enquanto que uma pessoa que tem a doença pode absorver somente 20%. A villi é a responsável pela absorção de nutrientes e uma vez prejudicada ou danificada, esta perde o poder de absorção de nutrientes;

Quais os sintomas:

Em crianças este quadro clássico é representado pela diarréia crônica, distensão abdominal (intestino auto) e desnutrição. Outros sintomas que podem ser diagnosticados são: dor abdominal muito forte, vômitos crônicos, constipação intestinal, sensibilidade e grande irritação, quadros de anorexia, baixa estatura, perda repentina e agressiva de peso corporal e outros. A doença celíaca pode, durante o decorrer da vida, apresentar um sintoma ou vários deles em conjunto.

O diagnostico:

O diagnostico pode ser feito a partir de exames realizados em hospitais, clinicas e em médicos especializados. O exame laboratorial mais comum a ser feito é o de anticorpos antigliadina, anti-endomisio, e anti-transglutaminase. O diagnostico deverá ainda ser confirmado por uma biópsia do intestino delgado. Devemos ter grande atenção aos médicos e procedimentos adotados para o diagnostico destas doenças auto-imunes. No Brasil ainda temos muito descaso a doença e muitas são mal diagnosticadas e tratadas muitas vezes como úlcera do estômago, gastrite, virose, infecção alimentar e outros. Na dúvida peça ao seu médico os exames citados acima e procure sempre ouvir uma segunda e terceira opinião.

Porque devemos adotar uma dieta sem glúten?

Pois é, esta é uma pergunta que todos fazem ao celíaco: Não seria tão mais fácil se apenas tomássemos um comprimido ou uma injeção de algum medicamento e pronto? Não! Esta é a reposta! Não há medicamento e nem injeção que faça reverter ou fazer com que esta pessoa possa comer de tudo então. A única maneira de se re-estabelecer a ordem vital no intestino delgado desta pessoa doente, é não ingerindo mais glúten, dando assim a oportunidade de o nosso corpo se recompor. Caso esta pessoa não estabeleça uma dieta isenta em 0% de glúten, a mesma poderá então desenvolver outras doenças como as que foram citadas anteriormente.
O que se pode comer?
Mediante a Lei nacional, LEI N° 10.674, DE 16 DE MAIO DE 2003, que "protege" eventualmente o celíaco, informando o mesmo se aquele produto industrializado contém ou não glúten, o mesmo fica seguro e informado do que se pode comer hoje em dia. Mate sua curiosidade e verás que a quantidade de produtos que contem glúten é enorme. Observe e leia as etiquetas de embalagens alimentícias e verás. Mérito nacional, o Brasil é um dos únicos países no mundo que possui esta lei. Os USA e a Argentina já brigam há anos para que criem uma lei igual ou parecida com a nossa.
Muitas coisas se perdem no caminho quando um celíaco vai a um restaurante ou mesmo a lugares em que as pessoas desconhecem a doença. A lei que obriga a indústria a colocar a informação de que o produto contem ou não glúten acaba por ajudar apenas e unicamente os celíacos em si que comem e produzem seus alimentos em casa, longe de contaminações por outros alimentos que contenham glúten. Apesar de parecer ser pouco, isto acaba em ajudar em muito, principalmente os brasileiros, que foram até então os únicos até hoje mundialmente a conseguir que esta lei entrasse em vigor.

Cuidados com contaminação:

O celíaco deve tomar cuidados com contaminação gerada por outros alimentos que contenham glúten. Ex: não se fritar uma produção que não contenha glúten em um óleo já usado para fritar outra produção que continha glúten. Não usar panelas contaminadas, fornos, colheres e etc. Um simples crouton em uma salada pode desencadear sintomas desagradáveis. Na dúvida mande fazer outra salada e comunique-se com quem esta lhe servindo para ter certeza de que este crouton não foi apenas removido da superfície e sim fora feita uma nova salada. Na dúvida: NÃO COMA!

O projeto:

O grupo orientado pelo chef Thiago Bettin e composto pelos alunos(as) Renata Macena Moreno, Valéria Mattos e Flávio Viellas, se reúne semanalmente para desenvolver e criar receitas sem glúten, tendo já testado em um período de 6 meses, mais de 35 receitas com sucesso. A determinação é enorme e já levou o grupo até Florianópolis para visitar mais de 20 restaurantes para celíacos. Eles foram recebidos pela então presidente da ACELBRA de Santa Catarina (associação brasileira de celíacos) Dra. Odette, que as levou até supermercados e restaurantes que se dedicam parcialmente a atender este público, que é enorme em São Paulo. Porém, restaurantes e supermercados não tiveram a mesma dedicação aos quais os de Floripa, conforme os apelos da associação foram surgindo em reuniões dos conselhos de restaurantes da Ilha. O grupo também apresentou uma de suas receitas para o grupo de estudantes de nutrição, bem como membros da sociedade na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Em se falar do grupo em si, ainda sabemos que temos muito trabalho pela frente e por fim, ainda temos como objetivo escrever e desenvolver um livro para este público carente e alertar os restaurantes e a indústria que este é um publico potencial, podendo chegar a 1% da população mundial e merecem atenção.
Orientador: Chef Thiago M. Bettin
Alunos (as) Renata Macena Moreno, Valéria Mattos e Flávio Viellas.


http://graodeareia.net/terapia/doenca-celiaca.html