sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mais sobre a Sensibilidade ao Glúten


Quarta-feira, 18 de Abril de 2012


Há dois, três anos atrás só se ouvia falar em sensibilidade ao glúten, para além da doença celíaca, em fóruns e sites de médicos alternativos. Há aproximadamente um ano atrás, esta condição passou a ser mainstream quando o Dr. Alessio Fasano doCentro de Pesquisa Celíaca da Universidade de Maryland, um dos pesquisadores mais conhecidos neste campo, a reconheceu e designou como Sensibilidade ao Glúten Não- Celíaca.

Ainda pouco se sabe, e como a pesquisa na área continua a evoluir, é provável que o que se sabe agora, deixe de ter validade daqui a algum tempo. No entanto, o National Foundation for Celiac Awareness reuniu o conhecimento que existe neste momento e compôs um artigo que pode ajudar a esclarecer algumas dúvidas daqueles que lidam com a intolerância ao glúten. Este panfleto sumariza o conteúdo do artigo.




"Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca

O seu exame de sangue para a doença celíaca veio negativo. E agora? Se tem tido sintomas que parecem relacionados com o glúten, é possível que tenha sensibilidade ao glúten não-celíaca. As pesquisas estimam que 18 milhões de americanos têm sensibilidade ao glúten não-celíaca. Isto é 6 vezes mais a quantidade de americanos que têm doença celíaca.

Os pesquisadores começam agora apenas a explorar a sensibilidade ao glúten não-celíaca, mas gostaríamos de educá-lo sobre o que aprendemos até agora. Siga-nos enquanto apresentamos uma série de Perguntas & Respostas sobre a sensibilidade ao glúten não-celíaca durante 2012. Esta secção foi projectada para o ajudar a entender melhor a sensibilidade ao glúten não-celíaca e o que a diferencia da doença celíaca e das alergias ao trigo.

O que é a sensibilidade ao glúten não-celíaca?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca foi um termo cunhado para descrever aqueles indivíduos que não podem tolerar o glúten e experimentam sintomas semelhantes àqueles da doença celíaca, mas que ainda que não têm os mesmos anticorpos e danos intestinais, que surgem na doença celíaca. A pesquisa inicial sugere que a sensibilidade ao glúten não-celíaca é uma resposta imune, em oposição a uma resposta imunitária adaptativa (tais como nas doenças auto-imunes) ou à reacção alérgica.

OK, então o que é uma resposta imune inata?
Os seres humanos nascem com um sistema imune inato. Uma resposta imune inata não é específica para um antigénio, o que significa que não é específica quanto ao tipo de organismo com que luta. Embora a sua resposta seja imediata contra os organismos invasores, o sistema imune inato não tem uma memória imunológica para os organismos invasores. A sua resposta não é dirigida para o próprio tecido, o que resultaria em doença auto-imune.

Ao contrário da sensibilidade ao glúten não-celíaca, a doença celíaca é específica para um antígeno (onde se inclui a transglutaminase tecidual, endomísio, anticorpos desamidados da gliadina, e, em algumas crianças pequenas, também os anticorpos à gliadina) e resulta num ataque contra o seu próprio tecido. Dano intestinal, ou enteropatia, é o resultado directo.

Quais são os sintomas da sensibilidade ao glúten não-celíaca?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca partilha muitos sintomas com a doença celíaca. No entanto, de acordo com um relatório colaborativo (Sapone et al,2012), os indivíduos com sensibilidade ao glúten não-celíaca têm uma prevalência de sintomas extra-intestinais ou não-gastrointestinais, como dores de cabeça, "mente nebulosa," dor nas articulações, e dormência nas pernas, braços ou dedos. Os sintomas normalmente aparecem horas ou dias após o glúten ter sido ingerido, uma resposta típica para condições imunológicas inatas como a sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Se os sintomas são tão semelhantes, como é que é diferente da doença celíaca?
A sensibilidade ao glúten não-celíaca foi reconhecida como, de um ponto de vista clínico, menos grave do que a doença celíaca. Não é acompanhada pela "enteropatia, as elevações da transglutaminase tecidual, endomísio, ou anticorpos desamidados da gliadina, e aumento da permeabilidade da mucosa que são característicos da doença celíaca" (Ludvigsson et al, 2012). Por outras palavras, os indivíduos com sensibilidade ao glúten não-celíaca não testam positivo para a doença celíaca com base em análises de sangue, nem têm o mesmo tipo de dano intestinal encontrado em indivíduos com doença celíaca. Alguns indivíduos podem sofrer danos intestinais mínimos, e isso desaparece com uma dieta livre de glúten.

A investigação mostrou também que a sensibilidade ao glúten não-celíaca não resulta no aumento da permeabilidade intestinal, que é característico da doença celíaca. O aumento da permeabilidade intestinal permite que as toxinas, bactérias e proteínas dos alimentos não digeridos se infiltrem, através da barreira gastrointestinal, na corrente sanguínea; as pesquisas sugerem que esta é uma alteração precoce biológica que vem antes do aparecimento de várias doenças auto-imunes.

A sensibilidade ao glúten não-celíaca é diferente de uma alergia ao trigo?
Sim. As alergias, incluindo aquelas ao trigo, estão associadas a medições positivas de IgE. O diagnóstico é feito através de testes cutâneos, análises de sangue ao IgE específico do trigo, e um desafio de alimentos. Os indivíduos que apresentam sintomas relacionados com o glúten mas testam negativo para alergia ao trigo podem ter sensibilidade ao glúten não-celíaca."
http://vidassemgluten.blogspot.com.br/2012/04/mais-sobre-sensibilidade-ao-gluten.html