Mundo artificial


“Sabor idêntico ao natural de morango”… “Corante artificial tartrazina”… “Corante artificial amarelo crepúsculo”.. “conservantes”.. “antioxidantes”..”acidulantes”. Pronto. O mundo da artificialidade está feito. As pessoas compram um produto com sabor de morango, e acham que realmente estão comendo morango. Alguém abre uma refrigerante com sabor de laranja e acredita que ali tem tudo a ver com laranja. Puro engano. Nada mais artificial do que isso. Aliás, poucos esforços tem sido feito para minimizar os efeitos artificiais na alimentação. Tudo é artificial. Sabor artificial de manga, corante artificial disso, conservante tal, acidulante, antioxidante. O povo afinal está realmente se alimentando ou se enganando?
É um verdadeiro engano. E o pior é que vez por outra aparece alguma notícia polêmica sobre esses inúmeros corantes e cia. O corante tartrazina produz reações alérgicas em algumas pessoas. Agora pouco a BBC publicou mais uma: ‘Corante de hambúrguer pode causar câncer’. Aliás, o mesmo corante desse hamburguer é usado também nas salsichas. Trata-se da substância E128, também conhecida como “Vermelho 2G”. O alerta é da Autoridade Européia de Segurança Alimentar, que recomendou que o tal corante não fosse mais considerado seguro para o consumo humano.
Acontece que o corante Vermelho 2G é convertido pelo corpo em um composto oleoso, a anilina. Os exames em ratos e camundongos indicam que esta substância tem o potencial de desencadear o câncer, visto que os roedores injetados com anilina desenvolveram tumores cancerosos. O Vermelho 2G já é proibido em vários países, incluindo o Japão.
Assim é esse mundo artificial. Indústrias ávidas por dinheiro injetam substâncias duvidosas nos produtos para as massas. As autoridades responsáveis acham que não vai fazer mal, até que se prove o contrário. Depois, algum cientista nada superficial pesquisa e descobre. Por que será que parece que estão fazendo as pessoas de cobaias? Depois que todo mundo está nadando na artificialidade (quase todo mundo) é que eles vão avisar que agora descobriram que aquilo é prejudicial. Mas, bilhões de pessoas no mundo nem se dão conta disso. O importante é o sabor, mesmo que seja de mentirinha. O importante é a cor, mesmo que seja forjada. As pessoas confiam demais naquelas autorizações do Ministério disso, Ministério daquilo, Conselho disso, Conselho daquilo. Mas, depois, só os países realmente sérios vão acatar o que os cientistas dizem a respeito, porque muitas vezes se descobre que tal corante é prejudicial, mas, poucos países acatam. Deixando seu povo refém de uma comida de mentira, com um sabor de mentira, e com efeitos bem desagradáveis. Infelizmente, corantes proibidos em outros países são usados no Brasil, sem problema.
Mas, é muito comum todo mundo ver a mensagem nas embalagens: NÃO CONTÉM GLÚTEN ou CONTÉM GLÚTEN. E por quê? Porque as pessoas que tem a doença celíaca tem intolerência permanente ao glúten, que é a principal proteína presente no Trigo, Aveia, Centeio, Cevada, e no Malte (sub-produto da cevada), cereais amplamente utilizados na composição de alimentos, medicamentos, bebidas industrializadas, assim como cosméticos e outros produtos não ingeríveis.
Pois então, o glúten ficou famoso porque um grupo de pessoas que ficam doentes através dessa proteína protestou e o Presidente Lula sancionou a lei 10.674, de 16/05/2003, cujo artigo primeiro diz assim: “Todos os alimentos industrializados deverão conter em seu rótulo e bula, obrigatoriamente, as inscrições ´Contém Glúten´ ou ´Não contém Glúten´, conforme o caso.”
Enquanto o glúten, que causa problemas apenas a pessoas portadoras dessa enfermidade, está sendo tão vigiado, os corantes e seus comparsas passam desapercebidos pela multidão de consumidores.
O problema é que sempre acontece assim: o produto é pré-testado, ok. Mandam para o mercado. Depois, é testado de novo, enquanto todo mundo já está consumindo. É como se o povo fosse a cobaia. Até quando parte da indústria alimentícia vai vender produtos como se vende diversão no parque? Tudo artificial. Sabor artificial. Cor artificial. Nada é real. Acredito que o povo merece mais respeito e coisas mais reais e verdadeiras para consumir. Porque o povo acredita facilmente no que é recomendado pelas Instituições superiores, mas muitas vezes paga sem perguntar, sem questionar e leva um produto que vai dar bastante trabalho para seu corpo, porque provavelmente vai acionar as defesas, as quais poderiam estar sendo usadas combatendo alguma doença, mas vão combater aquilo que a pessoa comeu ou tomou.
Acontece que nós já tomamos o artificial por natural. Mas, empresas sérias do ramo alimentício estão preocupadas com esses produtos artificiais. É só ir ao supermercado e ver que muitos produtos fazem questão de dizer: “sem gordura trans”, “sem conservante”, etc. Aliás, a gordura trans é outra inimiga do coração, qualquer cardiologista sincero dirá isso. Foi criada para melhorar o alimento, acabou piorando, tornado-se na vilã entre as gorduras.
É, nesse mundo artificial está cada vez menos comum a alimentação natural. Até as frutas podem sofrer com os agrotoxicos. Por isso, ainda temos um longo caminho a percorrer na luta pela alimentação saudável. Talvez essa maturidade por completo na indústria alimentícia só venha de fato quando o país realmente se tornar uma nação de primeiro mundo. Enquanto não, agente pode ficar acompanhando os boletins sobre saúde da Europa ou do Japão.

Wintemberg Rodrigues - wintemberg@digi.com.br

Comentário Empreendedor

Wintemberg Rodrigues é cristão, administrador pela UFRN e escritor, autor do livro (teatro) Dr. Gänsehaut. Seus artigos trazem um olhar cristão e empreendedor sobre diversos assuntos. Antes de adicionar no Facebookenvie uma mensagem de apresentação. Siga-me no Twitter