Benefícios econômicos do diagnóstico da doença celíaca
A doença celíaca ocorre em indivíduos geneticamente suscetíveis devido ao desenvolvimento de uma resposta auto-imune ao glúten, uma proteína presente no trigo, centeio e cevada. Estima-se que quase 1% da população (tanto nos Estados Unidos, como em outros países europeus e sul-americanos onde a doença foi estudada) seja portadora da doença celíaca, embora a maioria destas pessoas permaneçam sem diagnóstico. É comum também que aqueles indivíduos já diagnosticados tenham esperado anos até que o diagnóstico tenha sido feito. A doença celíaca é associada ao desenvolvimento de osteoporose, anemia e outras deficiências nutricionais, uma série de condições auto-imunes associadas, bem como à doenças malignas.
Tivemos acesso ao estudo do Dr. Green e seus colaboradores, e o resumimos aqui. Embora o estudo tenha utilizado uma base de dados de pacientes norte-americanos não haveria, à princípio, razões para supor que os resultados não possam ser generalizados, ou que seriam qualitativamente distintos em outros países e no Brasil, como veremos a seguir.
O estudo se baseou em uma base de dados do sistema de saúde norte-americano envolvendo mais de 10 milhões de registros, os quais incluiam distintas regiões geográficas, idades, origens étnicas e níveis sócio-econômicos. Através da análise destes registros, o estudo permite inferir se a ausência ou demora no diagnóstico da doença celíaca traria algum prejuízo econômico para os sistemas públicos de saúde, ou mesmo convênios e planos particulares. Para tal, foram comparados, ao longo de 4 anos, os custos (exames, internações, consultas, serviços de emergência) de pacientes celíacos diagnosticados com os custos médicos de pacientes portadores de um, dois ou mais sintomas tipicamente associados à doença celíaca, porém não diagnosticados como tal (e portanto, sem a adoção da dieta isenta de glúten).
Os resultados mostraram (ver gráfico acima) que mesmo somente 1 ano após o diagnóstico os custos médicos totais dos pacientes não diagnosticados foi de 20% a quase 40% maior que os custos médicos dos pacientes diagnosticados como celíacos, o que se explica em função do maior número de consultas médicas, testes laboratoriais e exames de imagem feitos pelos pacientes não diagnosticados. Como seria esperado, pode-se notar que quanto maior o número de sintomas dos pacientes não diagnosticados, maiores os custos médicos adicionais em relação aos celíacos "já em tratamento" (seguindo a dieta). O gráfico abaixo mostra que 3 anos após o diagnosticado, estas tendências permaneceram as mesmas, ou seja: o fato de ter recebido o diagnóstico da doença celíaca e iniciado a dieta sem glúten levou à redução das visitas médicas e exames pelos portadores da doença, quando comparados aos pacientes ainda sintomáticos (não diagnosticados).
Os pesquisadores demonstraram que o valor total gasto anualmente pelo celíaco também diminuiu após o diagnóstico, como mostra o gráfico abaixo (note que os gastos 3 anos após o diagnóstico - barras verdes - são mais baixos do que os gastos no ano anterior ao diagnóstico - barra azul).
Segundo os autores, estes resultados mostram "é preciso haver uma maior conscientização dos profissionais de saúde a respeito das várias formas de manisfestação e sintomas da doença celíaca, bem como ampla utilização dos exames de sangue que detectam a doença". Estes dados também mostram que a conscientização dos profissionais e a inclusão dos testes diagnósticos da doença pelos convênios médicos, planos de saúde e sistemas públicos não apenas beneficiariam pacientes, mas também seriam financeiramente vantajosos para estas instituições.
Mais informações: Economic benefits of increased diagnosis of celiac disease in a national managed care population in the United States.
Citar fonte como: Revista Vida sem Glúten e sem Alergias, 2009 (www.vidasemglutenealergias.com)
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